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| Artigo |
“No
meio do caminho tinha uma pedra...”.
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Carlos
Drummond de Andrade |
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Hoje,
esse extrato da poesia de Carlos Drummond de Andrade
talvez tenha outro sentido e esteja trazendo muitas
noites mal dormidas à sociedade do século
XXI. Esta “pedra”, o crack, é a gota
dágua de uma sociedade que não ouviu os
sinais do terremoto que se aproximava e continuou destruindo
o frágil tecido social que ainda tinha. Quando
nos demos conta, acordamos e ficamos aterrorizados,
sem saber como tudo começou e pior ainda, sem
saber o que fazer, por onde seguir caminho.
Uma retrospectiva das opções que a nossa
sociedade fez ao longo dos tempos, pode ajudar a construir
um diagnóstico da situação e provavelmente
encontraremos respostas/soluções às
nossas dificuldades. |
Optamos
por um modelo de desenvolvimento econômico,
que excluiu a maioria, para que uns possam crescer.
Optamos
por consumir tudo que a natureza nos oferecia, sem
pensar que estes recursos eram esgotáveis.
Agora vivemos secas com racionamento de água
de um lado e enchente de outro. Não
podemos plantar o alimento que nos dá vida,
porque a terra secou ou inundou. Não pensamos
na sustentabilidade do cidadão, nem do planeta.
Optamos pela grande propriedade, ao invés da
reforma agrária, excluindo milhares de famílias
do campo, que incharam as cidades sem perspectivas
de moradia, nem de trabalho. Apressando um crescimento
desordenado que traz até hoje sérios
problemas de infra-estrutura.
Optamos por uma educação e saúde
sem qualidade para a maioria da população.
Optamos por investimentos escassos na área
da cultura para a periferia, obrigando os nossos jovens
a terem a “esquina” como principal ponto
de encontro e de lazer.
Optamos por poucas propostas de iniciação
profissional para os jovens, o que faz da “boca
de fumo” uma alternativa de renda para muitos.
Optamos por um Estado, gerente das políticas
públicas, inoperante, lento e muitas vezes
um espetáculo pirotécnico, que faz o
“patrão” da vila o meio mais rápido
de solução das necessidades básicas
de muitas famílias.
Optamos por encarcerar infratores (hoje já
temos um universo de meio milhão de presos)
em locais subumanos, com o falso discurso da ressocialização.
Optamos em nos armar, ao invés de defender
a cultura da paz.
Qual será mesmo a pedra que está no
nosso caminho?
Talvez estejamos precisando mais de programas como
o projovem, o jovem aprendiz, pontos de cultura, bolsa
família, emprego para todos, minha casa/minha
vida, prouni, reforma agrária, pronasci, entre
tantos outros, do que tivemos ao longo da nossa história.
Talvez essa pedra no nosso caminho seja mais fácil
de remover do que estamos conseguindo enxergar.
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Maio
de 2009
Sérgio A. Kumpfer - Vereador PT |
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