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Viamonenses presentes no Prêmio Springer Carrier
A edição 2007 do Prêmio Springer Carrier contou com a presença do Vice-prefeito Serginho Kumpfer, sua esposa e membro do Diretório Municipal do PT Sandra Dias Fouchard e o coordenador da Unidade na Luta de Viamão, Oberdan Leonhardt. Todos estavam lá para parabenizar o deputado estadual Adão Villaverde, um dos agraciados. Para Serginho “o Villa tem compromisso e coerência com sua prática política. Sua atuação engrandece o parlamento gaúcho”
Compromissos com uma visão de desenvolvimento sustentável da lucidez
Adão Villaverde - Deputado Estadual
“O sentido simbólico deste momento nos instiga afazer um par de reflexões, mergulhando, quem sabe, nas motivações que nos levaram a tamanha honraria e distinção, para dar evidentemente um sentido a ela.
Ser agraciado com tão importante láurea, o Prêmio Springer Carrier – Por Um Rio Grande Maior, criado há 46 anos pela empresa Refrigeração Springer, sob inspiração do empresário Paulo Vellinho, promovido pela ARI e escolhido por renomada(o)s jornalistas que acompanham a ação legislativa diária do Parlamento gaúcho, é uma satisfação enorme e uma honra para a nossa equipe, nossa bancada, nosso partido, nossas relações políticas, para minha família e para mim.
A escolha talvez se deva a um processo combinado. De um lado, pelo perfil de atuação parlamentar que busca aliar fundamentação na defesa do projeto hoje em curso no país, com posições firmes e fortes nos embates e nas disputas políticas na condição de oposição no Estado. Mas que tem, muitas vezes, que compatibilizar necessidades pacienciosas de construir consensos majoritários em torno das questões e dos interesses da nossa sociedade.
De outro, ao trabalho e à ação parlamentar que realizamos, promovendo uma visão de desenvolvimento sustentável, informada pela necessidade de geração de trabalho e renda, mas com uma compreensão forte da importância da inclusão social e a diminuição das desigualdades. Que se apóia na inovação tecnológica, no emprego de tecnologias limpas na proteção ambiental.
Concebendo esta última como um ativo e não como um obstáculo ao desenvolvimento. Principalmente num tempo de aceleradas e recorrentes transformações no campo das mudanças climáticas e, sobretudo, em época de aumento do aquecimento global.
E que talvez se complete ainda, num momento de crise da representação na nossa sociedade, pelo fato de estarmos partilhando da atual construção da gestão no Parlamento gaúcho com a presença dos quatro maiores partidos presidindo a Casa pela primeira vez, nesta Legislatura. Que deu condições de governabilidade política para, sob seu comando, presidente, deputado Frederico Antunes, enfrentarmos de forma firme e sem vacilações os desvios de condutas inaceitáveis ocorridos recentemente na Assembléia gaúcha e que devem ser reparados.
Portanto, no que concerne à especificidade da honraria, a sociedade exige atitude que combine firmeza com pró-atividade, conferindo à visão de desenvolvimento o conceito da sustentabilidade.
Apontando para uma fundamental aliança estratégica entre as lutas e as políticas públicas que evitem a degradação e conflitos ambientais e as lutas e as políticas públicas que enfrentem a exclusão social.
Pois ambas são faces da mesma moeda, já que a mesma visão que não protege o meio ambiente é a que promove e aprofunda as desigualdades sociais.
Segundo o presidente do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), o indiano Rajendra Pacchauri, que dividiu o recente Prêmio Nobel com o ex-vice presidente norteamericano
Al Gore, “o Brasil precisa crescer, mas deve fazer isto com sustentabilidade e com o mínimo de impacto ambiental”.
Aliás, a existência de instrumentos de gestão no campo ambiental pelo Estado, é duplamente vantajosa. De um lado, porque possibilita a construção de um ambiente seguro para os investimentos. E, de outro, porque ajuda a preservar o patrimônio natural.
A história da humanidade está repleta de cerimônias. Isto não é por acaso: elas têm a finalidade de fixar momentos importantes em nosas vidas, seja na particularidade de indivíduos, onde vivenciam suas relações pessoais e familiares, seja na pluralizada condição de partícipes da sociedade numa determinada época, como somos nós hoje na condição de agentes públicos.
Assim, uma homenagem serve de registro da realização humana. Falo deste momento como uma forma de alimentarmos a memória e enviar nossa correspondência à posteridade, portanto, aos que nos seguirão. Dentre os quais meu filho Pedro, que está aqui conosco, e que terá a minha idade na metade deste já turbulento século XXI.
Tenham estas palavras o mesmo sentido das “canções” de outrora, sobretudo o aprendizado e os ensinamentos legados por aqueles que nos antecederam, deixando um grande patrimônio e uma visão moderna da necessidade da sustentabilidade.
Aliás, ensinamentos estes nas suas diversas áreas de atuação, que produziram referenciais que possuem o mesmo sentido que tiveram a visão de nossos ancestrais: eles nos aproximaram também da civilização e fizeram recuar os limites da barbárie.
Tenham certeza que premiar a produção e a reprodução de uma visão aberta e atual da necessidade de um desenvolvimento com sustentabilidade, é ressignificar o seu sentido, atualizar nossos compromissos com a civilização e reforçar nossa recusa à barbárie.
Entretanto, para continuarmos atualizando esse compromisso é preciso agregar a perspectiva crítica ao conceito de desenvolvimento. Aquele aspecto de rebeldia e de inconformismo diante de uma realidade que se pretende indiscutível, que se pretende portadora da última e da penúltima palavra. Esta realidade, embora emudecida de formulações teóricas, esvaziada de conceitos e desprovida de conteúdo, diz saber tudo sobre tudo e, o que é infinitamente mais perverso, sobre todos.
Mas essa realidade, supostamente acima de toda a crítica, sempre apareceu em cada momento histórico sob um determinado aspecto. E atende pelo nome de lógica da determinação mercantil e se abriga na difusa, poderosa, e não menos mitológica, autoridade e necessidade de que, em nome do crescimento, se pode tudo.
Se olharmos a sociedade que nos rodeia, o que veremos? O reino acrítico das coisas, que não admite mais a contestação, porque não pode admitir a capacidade crítica do conceito, o fundamental legado iluminista que chegou até nós e que produziu e reproduziu também as nossas mais caras utopias.
A realidade não pode admitir, enfim, a idéia do conceito, o processo da razão, porque assim se revela o seu próprio conteúdo de irracionalidade.
Recapturar o caráter crítico e a visão necessária de desenvolvimento com sustentabilidade, implica contrariar parte do espírito do nosso tempo. Implica reencontrar o processo da razão contra a irracionalidade. Implica, talvez, pensar um outro conceito de desenvolvimento. Um desenvolvimento que não signifique a submissão da razão à irracional espontaneidade mercantil, que não se determine somente pela lógica do econômico, ainda que esta seja fundamental.
Precisamos superar uma visão de desenvolvimento, portanto, que se origina dessa espécie de escambo universal que a humanidade já produziu e continua reproduzindo, gerando ainda processos como são as mudanças climáticas, desastres naturais, secas prolongadas e inundações que vulnerabilizam cada vez mais nossas populações.
O Prêmio Springer também atualiza nosso compromisso com o não abandono do caráter crítico e se sustenta nas melhores possibilidades éticas, humanistas e de solidariedade que fomos capazes de produzir ao longo da história.
Portanto, quero renovar com todos vocês, e com a sociedade gaúcha, meus sólidos compromissos com o que eu chamaria de visão de desenvolvimento sustentável da lucidez, que se opõe à multiplicação da irracionalidade, que promove os intercâmbios entre os homens e proporciona o fraternal comércio do saber, do conhecimento e da inteligência. Um desenvolvimento, enfim, que institui a razão, a solidariedade e a sustentabilidade como moedas fundamentais das trocas do gênero humano no nosso tempo.
Capaz de desbrutalizar nossa vida cotidiana e dar uma ressignificação aos nossos sonhos e sentimentos, para que voltemos a nos sensibilizar, seja com a original delicadeza dos experimentos florais de Amsterdã, seja com o belo e crepuscular entardecer do nosso Guaíba.”
Discurso proferido na cerimônia de entrega do Prêmio Springer Carrier 2007 - Por um Rio Grande Maior, no dia 15 de outubro de 2007, no Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa