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Comunidade quilombola é reconhecida
Foi na quinta-feira (23/01), que a comunidade do Cantão das Lombas assumiu oficialmente sua identidade Quilombola. A Diretora de Proteção do Patrimônio Afrobrasileiro da Fundação Palmares, Maria Bernadete Lopes da Silva destacou as políticas públicas do governo federal garantidos a partir deste auto-reconhecimento. Ressaltou ainda a necessidade da organização associativa entre os membros do quilombo.
O Vice-prefeito Serginho Kumpfer destacou as diferentes políticas públicas que o governo municipal oferece a esta comunidade. “Nosso entendimento sempre foi de valorização e resgate da história desta comunidade. Ao longo dos últimos anos, muitas ações foram executadas, principalmente nas áreas de infraestrutura e educação. NO novo Plano Diretor também foi reconhecido a área quilombola e ainda garantido participação da comunidade no Conselho da Cidade. São avanços significativos, que agora aliados a uma política do governo federal, fortalecem e dignificam esta comunidade”.

Trezentos anos depois da morte de Zumbi, líder do movimento negro do Quilombo dos Palmares, em Pernambuco, as atenções se voltam para a situação dos núcleos rurais espalhados pelo País, onde vivem populações remanescentes de quilombos. Existem grupos já identificados vivendo até mesmo no interior da Amazônia, e outros espalhados por vários municípios de vários Estados. Os descendentes dos escravos trazidos da África já não falam as línguas de seus antepassados e muitos chegaram a perder suas referências históricas. Muitos desses grupos, sem acesso à economia regional, não sabem que o artigo 68 das Disposições Transitórias da Constituição de 1988 garantiu aos descendentes dos fundadores de quilombos, que continuam vivendo em áreas antigas, a posse das terras que habitam. E é nessa direção que integrantes da Fundação Palmares e estudiosos têm se movimentado, ajudando muitas dessas comunidades, hoje ameaçadas por fazendeiros ou grupos interessados em suas terras. Esse trabalho acontece juntamente com um amplo projeto voltado para a valorização das raízes da cultura negra, marcando os 300 anos de Zumbi, rei dos Palmares. Trata-se de um trabalho difícil, reconhecem os líderes do movimento no País, já que a situação vivida por esses remanescentes hoje, pouco difere do quadro de pressão e pobreza de milhares de trabalhadores sem terra. No entanto, eles ressaltam que, fazendo cumprir a Constituição, estão saldando parte do débito da sociedade para com a população negra, escravizada no passado e, hoje, em sua maioria, vivendo ainda em condições de discriminação e marginalização.