Os
homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos;
as distinções sociais não podem
ser fundadas senão sobre a utilidade comum.
Declaração
dos Direitos do Homem e do Cidadão
Revolução
Francesa - 1789
Eu tenho um sonho que um dia esta nação
se levantará e viverá o verdadeiro significado
de sua crença - nós celebraremos estas
verdades e elas serão claras para todos, que
os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças
vão um dia viver em uma nação
onde elas não serão julgadas pela cor
da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.
Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será
exaltado, e todas as colinas e montanhas virão
abaixo, os lugares ásperos serão aplainados
e os lugares tortuosos serão endireitados e
a glória do Senhor será revelada e toda
a carne estará junta.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos
o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos
ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo
estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar
aquele dia quando todas as crianças de Deus,
homens pretos e homens brancos, judeus e gentios,
protestantes e católicos, poderão unir
mãos e cantar nas palavras do velho espiritual
negro:
"Livre afinal, livre afinal".
Eu tenho um sonho
Liberte, Egalité, Fraternité. Os ideais
iluministas que levaram burgueses e camponeses à
revolução francesa, ainda no século
XVIII, inspiram nossa escola a, com os olhos no passado,
buscar a transformação do presente,
projetando uma sociedade mais justa. Liberdade, igualdade,
fraternidade; altaneira, nossa escola propõe
um novo amanhecer para humanidade. Vem de Viamão,
onde muitas mãos se unem e se levantam em favor
desse ideal, convidando a todos para que, nesse carnaval,
sejam partícipes deste sonho.
Revisitando
páginas tristes da história da humanidade,
revivemos perversos romanos conquistadores. Insanos
imperadores que nas avermelhadas arenas dos sangrentos
horrores, lançam um leão para cada novo
cristão.
Discriminação
e intolerância religiosa. Os donos do velho
mundo alçam novos vôos, atravessando
o mar. Vão conquistar continentes, escravizar
outras gentes, gentes que são diferentes se
vendo discriminar. Outra crença, outro gênero,
outra cor; mais discriminação, menos
amor, mais guerra, destruição e dor.
Trechos vergonhosos da trajetória humana são
rabiscados. O homem ergue a bandeira rota da escravidão
e os negros são aprisionados, em porões
imundos de navios negreiros transportados, humilhados.
Ameríndios são subjugados pelo homem
branco que, a ferro e fogo, toma-lhes a terra-mãe,
as mulheres, crianças e a própria alma.
Ambos morrem um pouco a cada dia, um dia após
o outro. Casa grande e senzala, correntes, troncos
e quilombos. Negro e índios lutam, sofrem,
choram e clamam. Senhor Deus dos desesperados, onde
estás que não respondes, Senhor Deus
dos segregados? Eles vivem, sobrevivem e revivem as
conseqüências de um preconceito imundo
que bafeja nosso mundo, percorrendo o caminho que
leva da dominação à discriminação
e a intolerância humana. A Vila Isabel vem propor
neste dia, além da celebração
popular, uma profunda reflexão ao povo carnavalesco.
Sempre simpática e preocupada com as questões
sociais, a pomba branca de Vila Isabel, pioneira e
inovadora, vislumbra e crê na possibilidade
de um mundo melhor, convidando a todos para que, hoje,
com nossos corações abertos, iniciemos
a construção desse novo mundo. Nossa
proposta para a humanidade se alicerça sobre
o amor, a fraternidade, a igualdade e a liberdade
ampla. Liberdade para sermos diferentes ou iguais,
para cultuarmos qualquer credo, pertencermos a qualquer
etnia, termos qualquer gênero e, enfim, podermos
conviver harmoniosa e respeitosamente com esses fatos,
sem nos banharmos na águas poluídas
da discriminação.
E
assim nós, da Vila Isabel, convidamos a todos,
sem distinção, negros, brancos e índios,
homens, mulheres e crianças, de todas as religiões
a participar da construção desse mundo
em que sonhamos viver. Enfim, é carnaval, é
emoção e alegria pra valer. Nesta festa
ninguém fica de fora, a tristeza e o preconceito
é que vão embora.
Leandro
Almeida,
Carnaval 2007.