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| Plano
Municipal de Educação - Viamão 2007 - 2017 |
SUMÁRIO
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ao texto |
PROJETO
DE LEI Nº 097 NOVEMBRO DE 2007
Aprova
o Plano Municipal de Educação de Viamão
e dá outras providências |
O
PREFEITO MUNICIPAL DE VIAMÃO, Estado do Rio Grande
do Sul,no uso das atribuições que lhe
são conferidas, faço saber que a Câmara
Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte Lei:
Art.
1º Fica aprovado o Plano Municipal de Educação
do município de Viamão, constante do documento
anexo, com duração de dez anos.
Art.
2º O Município, em articulação
com a sociedade civil, procederá a avaliações
periódicas da implementação do
Plano Municipal de Educação.
§
1º O Poder Legislativo, por intermédio das
Comissões de Educação, Cultura
e Desporto, acompanhará a execução
do Plano Municipal de Educação.
§
2º A primeira avaliação realizar-se-á
no quarto ano de vigência desta Lei, cabendo à
Câmara de Vereadores aprovar as medidas legais
decorrentes, com vistas à correção
de deficiências e distorções.
Art.
3º Os planos plurianuais e orçamentários
anuais do Município serão elaborados de
modo a dar suporte às metas constantes do Plano
Municipal de Educação.
Art.
4º Os Poderes Municipais, Executivo e Legislativo,
empenhar-se-ão na divulgação deste
Plano e da progressiva realização de seus
objetivos e metas, para que a sociedade o conheça
amplamente e acompanhe sua implementação.
Art.
5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Viamão,
novembro de 2007.
Alex
Sander Alves Boscaini
PREFEITO
MUNICIPAL |
O
Município de Viamão elaborou seu primeiro
Plano Decenal de Educação Municipal
em 2007, atendendo às orientações
do Ministério da Educação, em
consonância com o Plano Nacional Decenal de
Educação, lei nº 10.172/2001.
A cada quatro anos, o município elabora o seu
Plano Plurianual de Educação, e anualmente
são elaborados pelo Executivo Municipal e aprovados
pela Câmara de Vereadores a Lei de Diretrizes
Orçamentárias e a Lei do Orçamento,
os quais definem as receitas, despesas e investimentos
que serão realizados para a oferta da Educação
municipal em cumprimento à legislação
vigente.
A Lei nº 9 394, de 1996, que “estabelece
Diretrizes e Bases da Educação Nacional”
consolidou a Década da Educação
– 1997/ 2007, bem como atribuiu à União,
art. 9º, inciso I, “elaborar o Plano Nacional
de Educação, em colaboração
com os Estados, o Distrito Federal e os municípios”
e no art. 10, inciso III, incumbiu aos Estados “elaborar
e executar políticas e planos educacionais,
em consonância com as diretrizes e os planos
nacionais de educação, integrando e
coordenando as suas ações e as dos seus
municípios...”
O Plano Nacional de Educação foi aprovado
pela Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001,
portanto, já está em vigor há
mais de cinco anos, sendo que muitos dos seus objetivos
e metas já foram alcançados no todo
ou em parte pelo município de Viamão.
A Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001, estabelece
em seu artigo 2º que “ a partir da vigência
desta Lei, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios
deverão, com base no Plano Nacional de Educação,
elaborar seus planos decenais correspondentes”.
O Estado do Rio Grande do Sul está em fase
final da elaboração de seu Plano Estadual
de Educação, sendo que, o Fórum
Permanente do Plano Estadual de Educação
já aprovou a sua redação final
em junho de 2006, e foi remetido ao Conselho Estadual
de Educação, a Governadora e à
Assembléia Legislativa para discussão
e aprovação final. No momento encontra-se
em análise. O município de Viamão
participou da elaboração do Plano Estadual
de Educação através da Secretaria
Municipal de Educação e do Conselho
Municipal de Educação.
A elaboração do Plano Municipal de Educação
de Viamão foi iniciada com a formação
das comissões Temáticas e construção
do regimento interno da I Conferência que ocorreu
no dia 18/07/07 e do processo de execução
do Plano Municipal de Educação.
As
comissões Temáticas definidas foram:
Comissão
Educação Infantil
Comissão Ensino Fundamental
Comissão Ensino Médio
Comissão Ensino Superior
Comissão Educação de Jovens e
Adultos
Comissão Educação Tecnológica
e Formação Profissional
Comissão Educação Especial
Comissão Educação Indígena
e Quilombola
Comissão Formação de Professores
e Valorização do Magistério
Comissão Financiamento e Gestão
As atividades das comissões iniciaram na I
Conferência onde foram eleitos os demais representantes
para participarem da construção do plano.
No dia 9 de agosto houve uma formação
para todas as comissões sobre o que é
o Plano Municipal de Educação e como
elaborá-lo. A palestrante convidada foi a professora
Elzira Colossi de Novo Hamburgo.
Após houveram algumas reuniões com os
coordenadores das comissões, juntamente com
a equipe de sistematização, onde foi
organizado o calendário e definida a metodologia
da 1ª rodada de plenárias que aconteceram
nas seguintes datas:
21/08 – Temática da Educação
Tecnológica e Formação Profissional;
27/08 – Temática da Formação
de Professores e Valorização do Magistério
- Temática do Ensino Médio
28/08 – Temática da Educação
Superior
29/08 – Temática Educação
de Jovens e Adultos
30/08 – Temática Educação
Especial
- Temática Financiamento e Gestão
31/08 – Temática Ensino Fundamental
- Temática Educação Indígena
e Quilombola
- Temática Educação Infantil
O material das plenárias foi sistematizado
e as escolas municipais foram capacitadas para realizarem
uma plenária na escola, chamado de sábado
letivo. O encontro aconteceu no dia 29/09/07 em todas
as 70 escolas municipais e na APAE a plenária
ocorreu no dia 27/09. Totalizando 5.228 participantes.
Novamente o material foi sistematizado e concomitantemente
as comissões se reuniram para diagnosticarem
a realidade municipal e uma proposta de objetivos
e metas.
Após essas reuniões, os coordenadores
das comissões apresentaram o material para
o Diretor Geral e o Secretário de Educação,
onde também foi planejada a sistemática
da 2ª rodada de plenárias. Nessas plenárias
os participantes tiveram como objetivo revisar a proposta
de objetivos e metas, reelaborando o que fosse necessário,
utilizando também o material sistematizado
da 1ª plenária e do sábado letivo.
As
alterações retornaram para o grupo de
sistematização que fez as alterações
necessárias, conforme a legislação.
O
material sistematizado foi organizado para a audiência
pública que aconteceu no dia 9/11, onde foi
apresentado, discutido e proposto alterações
nos objetivos e metas, que foram votadas na II Conferência
que aconteceu no dia 22/11/07, no salão de
atos da PUCRS – Viamão. Totalizando 5.200
Após
o projeto de lei foi encaminhado para aprovação
da Câmara de vereadores.
|
2 - CARACTERIZAÇÃO
DA REALIDADE DO MUNICÍPIO |
| 2.1
- Aspectos Históricos
O histórico da ocupação
em Viamão remonta ao século XVIII quando
um grupo de 30 homens, conhecido como “Frota de
João Magalhães”, desceu de Laguna
ao continente de São Pedro objetivando garantir
a passagem que facilitasse a tomada de gado do sul do
território. Os grandes rebanhos de eqüinos
e bovinos que havia na Campanha do Rio da Prata eram
trazidos para comercialização em Laguna.
Com o passar do tempo, o Rio Grande de São Pedro
deixa de ser somente uma passagem e passa a atrair colonizadores.
Os lagunistas, como foram denominados, fundam estâncias
e se dá início a criação
de gado. O município de Viamão foi um
dos primeiros povoados do Estado do Rio Grande do Sul.
A denominação de “Continente de
Viamão” data da época do início
da povoação do Rio Grande do Sul, para
se referir às terras que abrangiam o Jacuí,
o Guaíba, e o norte da Lagoa dos Patos, englobando
Santo Antônio da Patrulha e a Serra de Viamão
(atualmente São Francisco de Paula e Vacaria).
Juntamente com a criação do Arraial da
Capela de Viamão foi construída a Capela
Nossa Senhora da Conceição de Viamão,
que depois se tornaria a Igreja Matriz do Município.
Com a tomada da capital da Província, Vila de
Rio Grande, pelos espanhóis, o centro administrativo
é transferido para Viamão ocasionando
um novo desenvolvimento ao local.
Com o passar do tempo, a Freguesia do Porto dos Casais
(Porto Alegre), então Porto de Viamão,
que já iniciara o seu povoamento e era ligado
ao arraial pelas estradas do Mato Grosso (atual Bento
Gonçalves) e Caminho do Meio (Avenida Protásio
Alves), avenidas que até hoje desempenham importante
papel na relação entre esses dois municípios,
passa a representar um forte concorrente. Torna-se economicamente
mais importante e faz com que o centro administrativo
seja fixado na Freguesia do Porto dos Casais, às
margens do Guaíba, ficando Viamão gradualmente
dependente de Porto Alegre.
Durante o século XIX com a Revolução
Farroupilha, Viamão é palco de uma série
de batalhas e chega a ter seu nome modificado para Vila
Setembrina, guardando até hoje parte importante
dessa história como as trincheiras de Tarumã.
No decorrer do século, pela Lei Provincial n°1247,
a Freguesia de Viamão é elevada à
categoria de Vila, abrangendo os atuais municípios
de Gravataí, Glorinha, Palmares, Capivari e Viamão,
o que determinou um rápido crescimento em sua
estrutura urbana.
No século XX pelo Decreto Estadual nº7.842,
Viamão é elevada à categoria de
município, sendo que os períodos que vão
das décadas de 20 a 50 se caracterizam como o
momento de maior desenvolvimento do município
evidenciado através de diversos equipamentos
de lazer e cultura.
Na década de 40 é acelerado o desenvolvimento
da indústria pesada nacional e gaúcha,
convergindo com uma grande massa de pessoas que se direciona
para os arredores da capital. É a partir dessa
década que o crescimento demográfico das
cidades assume uma forma contínua, tornando-se
necessária uma melhor organização
do espaço, o que significa dizer, a sua urbanização.
A partir da década de 50 ocorre a decadência
econômica e cultural do Município, principalmente
devido ao crescimento industrial em direção
ao norte deixando Viamão relegada a uma situação
de periferia e a de cidade dormitório de Porto
Alegre. Tal fato causou um salto demográfico
elevado e o crescimento de loteamentos, muito deles
clandestinos e sem infra-estrutura básica. Essa
redução do desenvolvimento econômico
gerou prejuízos para a cidade, mas permitiu,
em parte, que o seu patrimônio edificado e natural
fosse preservado.
Nas décadas seguintes a população
predominante, que era rural, passou a ser a urbana,
incrementada principalmente por correntes migratórias
do interior do Estado. Essa inversão entre a
população rural e urbana acentuou a ocupação
desorganizada e o crescimento heterogêneo, resultando
em núcleos isolados que surgiram conforme interesses
imobiliários e desconectados uns dos outros,
formando as suas próprias “centralidades”.
Isto se reflete em sua malha urbana que se apresenta
de forma descontínua e fragmentada.
2.2 - Aspectos Geográficos:
Em
Viamão são notáveis as diferentes
formas de apropriação do espaço.
Esse fato é facilmente percebido através
da diversidade da paisagem presente no Município,
como, por exemplo, espaços onde a urbanização
está plenamente consolidada, locais de sítios
de lazer, grandes áreas verdes e paisagens litorâneas.
Em
Viamão a quantidade de aspectos que precisam
ser apreendidos e compreendidos para que seja possível
o entendimento do Município como um todo, tornam
a tarefa complexa. Uma infinidade de espaços
com diferentes culturas e meios físicos faz parte
da realidade municipal. É importante notar que
essa realidade muitas vezes é influenciada e
produzida por aspectos não só municipais,
mas também por uma conjuntura de fatores que
extrapolam os limites territoriais e administrativos
do Município.
Viamão
faz parte da Região Metropolitana de Porto Alegre
e sem dúvida alguma esse fato influenciou muito
a ocupação do seu espaço. Essa
informação é facilmente comprovada
quando se observa a plena urbanização
e a alta densidade do bairro Santa Isabel. Caracterizando-se
este, muito mais como resultado da extrapolação
dos limites da capital do que do crescimento do núcleo
urbano de Viamão. Esse espaço está
conurbado com Porto Alegre e boa parte dos seus moradores
desenvolve a maior parte de suas atividades (estudo,
trabalho, lazer) no município vizinho.
Outro
fator determinante para a ocupação de
Viamão é a presença da rodovia
estadual RS-040.
Observando
a malha urbana é fácil notar a importância
dessa via para o desenvolvimento do Município.
Grande parte dos loteamentos está distribuída
ao longo da rodovia e tem nesta o único ponto
de ligação viária com o restante
do Município. É nesse espaço que
está concentrado parte significativa do comércio
do Município. A paisagem da rodovia é
marcada por uma série de retornos e um grande
fluxo de automóveis e pessoas. As edificações
são baixas com comércio no primeiro pavimento
e habitação no segundo.
O
Centro de Viamão, uma das áreas mais antigas
do Município, é marcado pela história
com um grande número de edificações
e espaços importantes para a memória viamonense.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição,
grande atrativo turístico do Município
e marco de sua história, também está
na área central. Em torno da igreja funcionavam
as atividades burocráticas e administrativas
da Vila, atividade estas que nos dias de hoje ainda
permanecem no Centro. A Prefeitura e a Câmara
estão ali localizadas, bem como uma grande concentração
de atividades de comércios e serviços.
E diferentemente dos centros das grandes metrópoles
o Centro conta também com moradores que estabeleceram
nesse local as suas relações sociais e
de vizinhança. Isso resulta em um fluxo intenso
de pessoas e veículos durante todo o dia. O Centro
encontra-se no alto de uma elevação apresentando
vista privilegiada do restante do Município e
permitindo que edificações como a torre
da matriz e a caixa d’água possam ser vistas
de diversos pontos do Município, tornando-se
não só um referencial simbólico,
mas também visual.
Observando
a área rural de Viamão, verifica-se a
presença do núcleo urbano de Águas
Claras que se desenvolveu a partir da RS-040. A paisagem
é caracterizada por diversos condomínios
de sítios de lazer e pequenos comércios
de produtos típicos da região. A paisagem
predominante é a rural com a produção
de arroz e a atividade agro-pastoril na área.
O lugar é muito conhecido no Município
pela qualidade das suas águas subterrâneas
e acredita-se que esse foi um fator importante para
a instalação de empresas, no local.
No
Sul de Viamão há a paisagem de Itapuã
com uma diversidade própria muito rica. A vila
de Itapuã tem uma paisagem típica de cidades
litorâneas, caracterizada pela beira da Lagoa
dos Patos, pela faixa de areia e pela presença
de atividades voltadas para o turismo. Outra atividade
importante da região é a pesca artesanal.
A
proximidade da vila com o Parque de Itapuã enriquece
ainda mais a paisagem natural e incrementa o apelo turístico
da região. Próximo ao Parque está
o Leprosário Hospital Colônia, um conjunto
arquitetônico que compreende diversos estilos
arquitetônicos em um espaço único,
tanto pela sua história quanto por seu espaço
físico. Espaço extremamente importante
para a história de Viamão, do Rio Grande
do Sul e, sem dúvida, do Brasil. Outro espaço
importante da região é a Colônia
Japonesa, uma das maiores produtoras de hortaliças
folhosas da Região Metropolitana.
A
área rural de Viamão ocupa aproximadamente
90% da área do município e é caracterizada
pelos campos e pela produção de arroz,
principalmente na parte sul da RS-040. Diversas funções
como produções agroindustriais, sítios
de lazer, hotéis, criações de animais
são desenvolvidas em áreas próximas
sem nenhum tipo de regulação ou separação.
Outra característica marcante dessa área
é a grande quantidade de edificações
de valor histórico conservadas, pois, na maior
parte das vezes estão ainda ocupadas.
2.3
- Aspectos Populacionais:
Os
resultados do Censo Demográfico de 2000 (IBGE)
mostram que a população brasileira cresceu
1,63% ao ano no período entre 1991 e 2000, correspondendo
a um quantitativo próximo de 23 milhões
de habitantes, ou seja, um crescimento médio
de 2,5 milhões de habitantes a cada ano.
A
população brasileira, nas últimas
décadas, vem sendo submetida a rápidas
transformações, como: a diminuição
no ritmo de crescimento, aumento da proporção
de pessoas de terceira idade ou, o que é a mesma
coisa, diminuição da proporção
de pessoas jovens, processo conhecido como envelhecimento
populacional.
O
envelhecimento populacional se explica principalmente
pela diminuição do número de filhos
das mulheres (fecundidade). Como conseqüência,
tanto a diminuição no ritmo de crescimento
quanto o envelhecimento da população têm
em comum o mesmo fator explicativo, qual seja, a modificação
nos padrões reprodutivos das famílias,
que vem ocorrendo a partir dos anos 60, com intensificação
a partir dos 80.
As
características do crescimento populacional em
Viamão estão muito próximas daquelas
observadas no Estado e no país. Até meados
da década de 1960, a população
era predominantemente rural. A inversão populacional
observada em Viamão ocorre paralelamente à
criação da Região Metropolitana
de Porto Alegre, em 1973. É importante ressaltar
que, se por um lado, o município recebeu um intenso
fluxo migratório, por outro, a inversão
populacional também foi influenciada pela mudança
na legislação que definia os limites da
área rural, ou seja, o processo de metropolização,
e com ele, o processo de abertura de novos loteamentos
que impulsionou a expansão do perímetro
urbano. Desta forma a população urbana
passou de 11.431 pessoas em 1970 para mais de 100.000
pessoas em 10 anos. Isto reflete que o urbano incorporou,
em partes, a população que até
então era considerada como rural. O incremento
populacional deste período foi de mais de 50.000
pessoas, o que significa taxa geométrica de crescimento
de 5,88%. No período seguinte, Viamão,
obteve um crescimento de aproximadamente 60.000 pessoas,
com uma taxa de crescimento de 3,96%. No período
de 1990 a 2000, há uma diminuição
no ritmo de crescimento populacional. O Município
cresceu a uma taxa de 2,61%, o que representa em números
um total de 46.000 pessoas.
Dos
Municípios que pertencem a RMPA (região
metropolitana de Porto Alegre) desde 1973, data de sua
fundação, Viamão com 2,61% e Alvorada
com 2,94% são os que apresentam as maiores taxas
de crescimento no período de 1991 a 2000.
A
partir de 2000 foi realizada uma projeção
até o ano de 2015. A projeção apresenta
um acréscimo populacional de aproximadamente
80.000 pessoas. Tal projeção leva em conta
diminuição da taxa geométrica de
crescimento que o Município vem observando nas
últimas décadas, em decorrência
da diminuição das taxas de natalidade
e dos fluxos migratórios. A taxa de crescimento
calculada a partir da projeção de 2000
a 2015 é de 2,24%, o que demonstra a tendência
de queda no ritmo de crescimento, uma vez que o período
calculado é maior que o período entre
os censos.
No geral, nota-se que a população de Viamão
é jovem, porém com forte presença
das faixas etárias médias, aproximadamente
30% da população encontram -se nas faixas
etárias de 30 a 39 anos e 40 a 49 anos. A projeção
realizada pela Fundação de Economia e
Estatística do Estado do Rio Grande do Sul para
o ano de 2005, aponta que a população
de 0 a 24 anos representa 40% do total de 265.455 pessoas,
a população de 25 a 54, obteve uma percentual
de 47% e a população com mais de 60 anos
representa apenas 8%. Ou seja, há uma passagem
do extrato jovem para o médio, mas isto ainda
não reflete em aumento da população
idosa.
Outro dado interessante, para se analisar a mobilidade
populacional característico de regiões
metropolitanas é o movimento pendular, nome técnico
para um fenômeno conhecido como: pessoas que moram
em um município, mas trabalham ou estudam em
outro. Este índice foi medido pela primeira vez
no Brasil com o censo realizado pelo IBGE em 1980. No
censo de 1991 não foi observado, voltando a figurar
como um elemento importante no estudo populacional com
o censo realizado em 2000, com a típica pergunta:
onde você mora e onde você trabalha e/ou
estuda.
Para o caso de Viamão, notamos que aproximadamente
48.000 pessoas se deslocam diariamente para outro município
para trabalhar ou estudar. Em percentual isto representa
21,49% do total da população. Dentre as
pessoas neste perfil, 69% estão na faixa etária
entre 24 e 65 anos, e 24% estão na faixa de 15
a 24 anos.
Este índice reflete, entre outras coisas, que
Viamão pode ser caracterizada como uma cidade
dormitório.
|
EVOLUÇÃO
DINÂMICO-DEMOGRÁFICA DO BRASIL
|
|
ASPECTOS
OBSERVADOS |
ANO
DE 1950 |
ANO
DE 2000 |
| População |
52
milhões |
170
milhões |
| Crescimento |
3%
ao ano |
1,5%
em anos recentes |
| Expectativa
de Vida |
44
anos |
68
anos |
| Fecundidade |
6,2
filhos |
2,2
filhos |
Fonte:
Fundação SEADE |
Segundo
estudos do Ipeadata, a esperança de vida
ao nascer, em anos, para o Rio Grande do Sul,
atualmente, é de 72,128 (2000). Em 1970
era de 56,12; em 1980 era de 61,16; e, em 1991
era de 68,755. |
| 2.4
- Aspectos Educacionais: |
|
TABELA
Nº 01 MATRÍCULA INICIAL POR REDE DE
ENSINO - 2006 |
|
NÍVEIS
E MODALIDADES
EDUCAÇÃO /ENSINO |
REDE
DE ENSINO
|
TOTAL |
|
ESTADUAL |
MUNICIPAL |
PARTICULAR |
| EDUCAÇÃO
INFANTIL |
CRECHE |
28
|
209 |
10 |
247 |
| PRÉ-ESCOLA |
467
|
499 |
289 |
1.255 |
| SUB-TOTAL |
495 |
708 |
299 |
1.502 |
| ENSINO
FUNDAMENTAL |
EDUC.ESPEC |
75
|
199 |
9 |
283 |
| TOTAL
1ª-4ª |
7.591 |
13.373 |
1.482 |
22.746 |
| TOTAL
5ª-8ª |
8.633
|
7.931 |
1.395 |
17.959 |
| SUB-TOTAL |
16.299
|
21.503 |
2.886 |
40.688 |
|
EDUC.
JOVENS E ADULTOS
|
2.125 |
3.107
|
82 |
5.314 |
|
ENSINO
MÉDIO
|
9.162
|
0 |
816 |
9.978 |
|
EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL |
371
|
0 |
121 |
492 |
|
TOTAL
GERAL |
28.452
|
25.318 |
4.204 |
57.974 |
FONTE:
Censo Escolar – 2006 |
Conforme
se pode observar na tabela, Viamão atendeu
em 2006: 57.974 alunos, sendo um contingente muito
grande. A rede estadual apesar de possuir um número
menor de escolas, sendo 31 em comparação
a rede municipal, que são 70, atende mais
alunos, tendo em vista o porte das escolas estaduais
serem maiores que as escolas municipais. O município
se encarrega da zona rural com mais intensidade
e a rede estadual o Ensino Médio. |
|
3.1
– Caracterização e Diagnóstico
A
Educação das crianças de 0 a
5 anos em estabelecimentos específicos de Educação
Infantil vem crescendo no mundo inteiro e de forma
bastante acelerada, seja em decorrência da necessidade
da família de contar com uma instituição
que se encarregue do cuidado e da Educação
de seus filhos pequenos, principalmente quando os
pais trabalham fora de casa, seja pelos argumentos
advindos das ciências que investigaram o processo
de desenvolvimento da criança.
Se
a inteligência se forma a partir do nascimento
e se há “janelas de oportunidade”
na infância quando um determinado estímulo
ou experiência exerce maior influência
sobre a inteligência do que em qualquer outra
época da vida, descuidar desse período
significa desperdiçar um imenso potencial humano.
Ao contrário, atendê-la com profissionais
especializados capazes de fazer a mediação
entre o que a criança já conhece e o
que pode conhecer significa investir no desenvolvimento
humano de uma forma inusitada.
Não
são apenas argumentos econômicos que
têm levado governos, sociedade e famílias
a investirem na atenção às crianças
pequenas. Na base dessa questão está
o direito ao cuidado e à Educação
a partir do nascimento. A Educação é
elemento constitutivo da pessoa e, portanto, deve
estar presente desde o momento em que ela nasce, como
meio e condição de formação,
desenvolvimento, integração social e
realização pessoal.
Além
do direito da criança, a Constituição
Federal estabelece o direito dos trabalhadores, pais
e responsáveis, à Educação
de seus filhos e dependentes de 0 a 6 anos. Mas o
argumento social é o que mais tem pesado na
pressão da demanda e no seu atendimento por
parte do Poder Público. Ele deriva das condições
limitantes das famílias trabalhadoras, das
de renda familiar insuficiente para prover os meios
adequados para o cuidado e Educação
de seus filhos pequenos e da impossibilidade de a
maioria dos pais adquirirem os conhecimentos sobre
o processo de desenvolvimento da criança que
a pedagogia oferece.
Com
a LDB, a Educação Infantil conquistou
um novo espaço social que rompe não
só com a tradicional vocação
assistencialista das creches, mas também com
a noção de que a pré-escola tem
uma perspectiva antecipatória da escolaridade
fundamental.
Por
determinação da LDB (9.394/96), as creches
atenderão crianças de 0 a 3 anos, ficando
a faixa etária de 4 a 5 para a pré-escola
e deverão adotar objetivos educacionais, transformando-se
em instituições de educação,
segundo as diretrizes curriculares nacionais emanadas
do Conselho Nacional de Educação.
Essa
determinação segue a melhor pedagogia,
porque é nessa idade, precisamente, que os
estímulos educativos têm maior poder
de influência sobre a formação
da personalidade e o desenvolvimento da criança.
Trata-se de um tempo que não pode estar descuidado
ou mal orientado.
Observando
a distribuição de matrículas
entre as esferas públicas e a iniciativa privada,
constata-se uma redução acentuada no
atendimento por parte dos Estados, uma pequena redução
na área particular e um grande aumento na esfera
municipal. Esse fenômeno decorre da prioridade
constitucional de atuação dos municípios
nesse nível, simultaneamente ao Ensino Fundamental.
Apesar
dos avanços garantidos pela nova legislação,
a Educação Infantil ainda enfrenta inúmeros
obstáculos, sejam políticos administrativos,
pedagógicos ou socioeconômicos.
A
Educação Infantil no município
de Viamão é um reflexo da história
assistencialista que ocupou o espaço das instituições
infantis em nosso país, onde o objetivo maior
era cuidar e zelar as crianças abandonadas,
órfãs e/ou filhas de mães trabalhadoras
com uma característica comunitária e
ou filantrópica. Não há registros
nem dados precisos quanto ao início do trabalho
das creches neste município, mas é sabido
que estas eram assistidas, e muitas ainda o são,
no caso das creches comunitárias, pela Secretaria
Municipal de Assistência Social. Há praticamente
oito anos, ou seja, desde 1999 oito creches, mantidas
integralmente pela Prefeitura, passaram a pertencer
a Rede municipal de Educação de Viamão,
e assim juntamente com as turmas de jardim A e B das
escolas municipais, estaduais e particulares de Ensino
Fundamental, constituindo a Educação
Infantil deste município, onde foram feitos
vários investimentos na estrutura física,
pedagógica e profissional.
Apesar
do investimento feito, o município ainda não
possui uma política de Educação
Infantil, pois não se tem um cadastro real
das instituições comunitárias,
nem sequer uma relação próxima
a elas. Faltam muitas vezes as condições
mínimas de funcionamento como sanitários
adequados, parque infantil, profissionais habilitados,
refeitório, superlotação de crianças
entre outros.
Dado
ao exposto, a Educação Infantil, no
município de Viamão, precisa assinalar
condições de vida e de desenvolvimento
intelectual das crianças. As contingências
que a sociedade impõe, como pobreza, a desnutrição,
a falta de moradia e de saúde, precisam ser
enfrentadas com atitudes abrangentes que envolvam
a solução desses problemas sociais.
É
necessário que se planeje ações
com aplicabilidade de curta e média duração
para efetivarmos uma política de Educação
Infantil de qualidade para o município de Viamão.
3.2 – Diretrizes
A
Educação Infantil é a primeira
etapa da Educação Básica. Ela
estabelece as bases da personalidade humana, da inteligência,
da vida emocional, da socialização.
As primeiras experiências da vida são
as que marcam mais profundamente a pessoa. Quando
positivas, tendem a reforçar, ao longo da vida,
as atitudes de autoconfiança, de cooperação,
solidariedade, responsabilidade. Há bastante
segurança em afirmar que o investimento em
Educação Infantil obtém uma taxa
de retorno econômico superior a qualquer outro.
As
metas estão relacionadas à demanda manifesta,
e não à demanda potencial, definida
pelo número de crianças na faixa etária,
pois a Educação Infantil não
é obrigatória, mas um direito da criança.
A
formação dos profissionais da Educação
Infantil merecerá uma atenção
especial, dada à relevância de sua atuação
como mediadores no processo de desenvolvimento e aprendizagem.
A qualificação específica para
atuar na faixa de 0 a 5anos inclui o conhecimento
das bases científicas do desenvolvimento da
criança, da produção de aprendizagem
e a habilidade de reflexão sobre a prática,
de sorte que esta se torne, cada vez mais, fonte de
novos conhecimentos e habilidades na Educação
das crianças.
As
medidas propostas por este plano decenal para implementar
as diretrizes e os referenciais curriculares nacionais
para a Educação Infantil se enquadram
na perspectiva da melhoria da qualidade.
A
Educação Infantil é um direito
de toda criança e uma obrigação
do Estado (art.208, IV da Constituição
Federal). A criança não é obrigada
a freqüentar uma instituição de
Educação Infantil, mas sempre que sua
família deseje ou necessite, o Poder Público
tem o dever de atendê-la.
Este
Plano propõe que a oferta pública de
Educação Infantil conceda prioridade
às crianças das famílias de menor
renda, situando as instituições de Educação
Infantil nas áreas de maior necessidade e nelas
concentrando o melhor de seus recursos técnicos
e pedagógicos. Deve-se contemplar também
a necessidade do atendimento em tempo integral para
as crianças de idades menores, das famílias
de renda mais baixa, quando os pais trabalham fora
de casa. Essa prioridade não pode, em hipótese
alguma, caracterizar a Educação Infantil
pública como uma ação pobre para
pobres.
O
que este plano recomenda é uma Educação
de qualidade prioritariamente para as crianças
mais sujeitas à exclusão ou vítimas
dela. A expansão que se verifica no atendimento
das crianças de 4 e 5 anos de idade, conduzirá
invariavelmente à universalização,
transcendendo a questão da renda familiar.
A
norma constitucional de integração das
crianças especiais no sistema regular será,
na Educação Infantil, implementada através
de programas específicos de orientação
aos pais, qualificação dos professores,
adaptação dos estabelecimentos quanto
às condições físicas,
mobiliário, equipamentos e materiais pedagógicos.
Quando a avaliação recomendar atendimento
especializado em estabelecimentos específicos,
diretrizes para essa modalidade constarão do
capítulo sobre Educação Especial.
-
Assegurar a vivência da infância e o desenvolvimento
das dimensões intelectual, física, emocional,
espiritual, cultural e afetiva do ser humano.
-
Integrar as políticas da Educação
Infantil às políticas nacionais e estaduais
em colaboração efetiva na área
pedagógica e financeira.
-
Concretizar, parcerias com a sociedade civil na oferta
e manutenção da Educação
Infantil, buscando o aprimoramento e adequação
dos espaços, equipamentos e proposta pedagógica.
-
Preparar a criança para ingressar no Ensino
Fundamental, respeitando-se o direito de brincar,
estabelecer vínculos afetivos, utilizar diferentes
linguagens e expressar sentimentos, desejos, pensamentos
e necessidades.
TABELA
02 - EVOLUÇÃO DA MATRÍCULA
INICIAL EM EDUCAÇÃO INFANTIL –
2004-2006 REDE ESTADUAL, MUNICIPAL E PRIVADA. |
|
ANO |
ESTADUAL |
MUNICIPAL |
PRIVADA |
TOTAL
|
| ALUNOS |
ALUNOS |
ALUNOS |
| 2004
|
513 |
547 |
289 |
1358 |
| 2005
|
521 |
518 |
308 |
1374 |
| 2006 |
495 |
708 |
299 |
1502 |
Fonte:
Censo Escolar 2004-2006.
Os dados incluem os alunos de Educação
Infantil das modalidades creches e pré-escola.(
0 a 6 anos) |
Conforme
a tabela acima pode-se constatar pela evolução
das matrículas que o município,
incluindo as três redes tem aumentado
o número de atendimento nesta área.
Pode-se constatar que a rede estadual tem reduzido
o atendimento em Educação Infantil,
porém tem aumentado na sua prioridade
que é o Ensino Médio. Já
a rede privada tem mantido o número de
atendimento e a rede municipal aumentou consideravelmente,
tendo em vista ser de sua competência
esse atendimento. |
3.3
– Objetivos e Metas
EM
ANEXO A ESSE DOCUMENTO. |
4.1
– Caracterização e Diagnóstico
De
acordo com a Constituição Brasileira,
o Ensino Fundamental é obrigatório e gratuito.
O art. 208 preconiza a garantia de sua oferta, inclusive
para todos os que a ele não tiveram acesso na
idade própria. É básico na formação
do cidadão, pois de acordo com a LDB, em seu
art. 32, o pleno domínio da leitura, da escrita
e do cálculo constituem meios para o desenvolvimento
da capacidade de aprender e de se relacionar no meio
social e político. É prioridade oferecê-lo
a toda população brasileira.
A
exclusão da escola de crianças na idade
própria, seja por incúria do Poder Público,
seja por omissão da família e da sociedade,
é a forma mais perversa e irremediável
de exclusão social, pois nega o direito elementar
de cidadania, reproduzindo o círculo da pobreza
e da marginalidade e alienando milhões de brasileiros
de qualquer perspectiva de futuro.
A
consciência desse fato e a mobilização
social que dela decorre têm promovido esforços
coordenados das diferentes instâncias do Poder
Público que resultaram numa evolução
muito positiva do sistema de Ensino Fundamental como
um todo, em termos tanto de cobertura quanto de eficiência.
Temos,
portanto, uma situação de inchaço
nas matrículas do Ensino Fundamental, que decorre
basicamente da distorção idade/série,
a qual, por sua vez, é conseqüência
dos elevados índices de reprovação.
Os alunos levam em média 10,4 anos para completar
as oito séries do Ensino Fundamental. Além
de indicar atraso no percurso escolar dos alunos, o
que tem sido um dos principais fatores de evasão,
a situação de distorção
idade/série provoca custos adicionais aos sistemas
de ensino, mantendo as crianças por período
excessivamente longo no Ensino Fundamental.
Tendo
em vista este conjunto de dados e a extensão
das matrículas no Ensino Fundamental é
surpreendente e inaceitável que ainda haja crianças
fora da escola, parte das quais nela já esteve
e a abandonou. O problema da exclusão ainda é
grande.
Na
maioria das situações, o fato de ainda
haver crianças fora da escola não tem
como causa determinante o déficit de vagas. Tal
fato está relacionado com a precariedade do ensino
e com as condições de exclusão
e marginalidade social em que vivem segmentos da população
brasileira. Não basta, portanto, abrir vagas.
Programas paralelos de Assistência à família
são fundamentais para o acesso à escola
e permanência nela.
Apesar
de todas as possibilidades oferecidas pelos sistemas
de ensino para o acesso e a permanência do aluno
na escola, são motivos de preocupação
de todos os envolvidos com o Ensino Fundamental os índices
de evasão e repetência, mesmo em classes
regulares.
Diante
do contexto que se apresenta, é importante que
se promovam ações para que numa perspectiva
humanizadora e cidadã, a escola busque, além
de erradicar completamente o analfabetismo, a possibilidade
de que todos os alunos, crianças, jovens ou adultos,
possam gozar de seus direitos ao participarem ativamente
da sociedade em que estão inseridos.
TABELA
03 - EVOLUÇÃO DA MATRÍCULA
INICIAL EM ENSINO FUNDAMENTAL 2004 – 2006
REDE ESTADUAL, MUNICIPAL E PRIVADA. |
|
ANO |
ESTADUAL |
MUNICIPAL |
PRIVADA |
TOTAL
|
| ALUNOS |
ALUNOS |
ALUNOS |
| 2004
|
17.227 |
23.673 |
3.080 |
43.980 |
| 2005
|
16.401 |
20.643 |
3.079 |
40.123 |
| 2006 |
16.299 |
21.503 |
3.186 |
40.988 |
Fonte:
Censo Escolar 2004-2006. |
TABELA
Nº 04 - ENSINO FUNDAMENTAL: MATRÍCULA
INICIAL
REDE ESTADUAL, MUNICIPAL E PRIVADA - PERÍODO
DE 2004 A 2006
|
|
1ª
a 4ª Série |
5ª
a 8ª Série |
TOTAL
E F |
EST
|
MUN |
PRIV |
EST |
MUN |
PRIV |
2004 |
7.610 |
13.802 |
1.685 |
9.617 |
9.871 |
1.395 |
43.980 |
2005 |
7.620 |
13.140 |
1.715 |
8.781 |
7.503 |
1.364 |
40.123 |
2006 |
7.666 |
13.572 |
1.791 |
8.633 |
7.931 |
1.395 |
40.988 |
Fonte:
Censo Escolar 2004-2006 |
Como
se pode observar na tabela n° 04, o número
de alunos se manteve nos últimos dois anos,
tendo em vista que o grande investimento nas escolas
e as ampliações ocorreram de 1998
à 2003, conforme os recursos do FUNDEF.
A partir de 2004 iniciou-se a manutenção
das escolas, com pouco investimento em ampliações
e construções, tanto na rede estadual
como na rede municipal. Já na rede privada
o número de escolas se manteve, em conseqüência
o número de alunos. |
| TABELA
Nº 05 - RESULTADOS DA PROVA DO SAEB –
BRASIL, RS E ... – ANO DE 2005 |
| COMPONENTE
CURRICULAR |
LÍNGUA
PORTUGUESA |
MATEMÁTICA |
|
ESTADUAL |
MUNICIPAL |
ESTADUAL |
MUNICIPAL |
|
4ª
série |
8ª
série |
4ª
série |
8ª
série |
4ª
série |
8ª
série |
4ª
série |
8ª
série |
|
BRASIL |
176,07 |
224 |
171,09 |
219,17 |
182,25 |
238,76 |
178,66 |
234,12 |
|
RS |
181,54 |
229,06 |
173,96 |
224,26 |
188,54 |
245,28 |
182,13 |
240,03 |
|
VIAMÃO |
-
|
- |
172,74 |
228,11 |
- |
- |
178,82 |
241,14 |
Fonte:
Relatório do SAEB - 2005 |
Comparando
a avaliação do Brasil, Rio Grande
do Sul e Viamão, pode-se perceber que o
município está abaixo da média
estadual, porém acima da média nacional.
Infelizmente não obtivemos os dados da
rede estadual para realizarmos a comparação. |
| TABELA
06 - ENSINO FUNDAMENTAL: EVOLUÇÃO
DAS TAXAS DE EVASÃO E REPROVAÇÃO
NA REDE ESTADUAL, MUNICIPAL E PRIVADA 2004 –
2006 |
|
ANO |
ESTADUAL |
MUNICIPAL |
PRIVADA |
EVASÃO |
REPR |
TOTAL |
EVASÃO |
REPR |
TOTAL |
EVASÃO |
REPR |
TOTAL |
|
2004 |
3,9 |
18,7 |
22,6 |
2,70 |
19,35 |
22,05 |
0,3 |
3,9 |
4,2 |
|
2005 |
3,4 |
19,0 |
22,4 |
2,50 |
16,01 |
18,51 |
0,4 |
3,8 |
4,2 |
|
2006 |
- |
- |
- |
2,73 |
17,56 |
20,29 |
- |
- |
- |
Fonte:
Censo Escolar e/ou Relatórios Estatísticos. |
Os
dados da rede estadual e privada são do
RGS, pois o Estado não possui dados por
município disponível.
Em
relação aos dados de 2006 o Estado,
junto com a rede privada terão disponível
somente após fechamento do censo 2007 |
TABELA
07 - ENSINO FUNDAMENTAL: EVOLUÇÃO
DA TAXA DE REPROVAÇÃO NA REDE
MUNICIPAL 2004 – 2006
|
| ANO |
1ª
SÉRIE |
2ª
SÉRIE |
3ª
SÉRIE |
4ª
SÉRIE |
5ª
SÉRIE |
6ª
SÉRIE |
7ª
SÉRIE |
8ª
SÉRIE |
TOTAL |
|
2004 |
607 |
443 |
323 |
319 |
824 |
625 |
372 |
153 |
3.666 |
|
2005 |
653
|
408 |
345 |
312 |
814 |
615 |
288 |
142 |
3.577 |
|
2006 |
652 |
397 |
346 |
314 |
797 |
628 |
361 |
124 |
3.619 |
Fonte:
Censo Escolar |
A
caracterização do currículo que
vem sendo desenvolvido nas escolas é um indicativo
da qualidade do ensino que é ofertado.
Segundo
José Amaral Sobrinho, em Reflexões sobre
os Planos Municipais de Educação, "...
de maneira geral, os planos são fracos quando
a análise e as propostas se situam no campo pedagógico...
Pouca atenção foi dada às metodologias
de ensino, às mudanças nos procedimentos
dentro da sala de aula, à inovações
na forma de ministrar o ensino... O currículo
é flexível (núcleo comum e parte
diversificada) definido em leis, normas, diretrizes,
regimentos... As metodologias dependem dos sistemas,
escolas, professores. Não há lei que determine
como ensinar, como organizar o ensino, é um espaço
garantido aos professores e às escolas”.
É
importante o entendermos como foram estudadas e estão
sendo colocadas em prática as Diretrizes Curriculares
Nacionais e Estaduais, emanadas dos respectivos Conselhos
Nacional e/ou Estadual de Educação, bem
como, os Parâmetros Curriculares Nacionais, amplamente
divulgados entre os profissionais da educação.
Estes
referenciais norteiam com segurança as estratégias
de atuação em sala de aula e as inovações
que se fazem necessárias para a melhoria do desempenho
docente e discente, concretizando aprendizagens básicas
em conhecimentos, habilidades e competências imprescindíveis,
pois, “o espaço da escola é o da
formação de cidadãos capazes de
enfrentar os novos desafios do mundo contemporâneo”.
4.2
– Diretrizes
A
Constituição de 1988 prevê a garantia
da oferta de Ensino Fundamental a todos os brasileiros,
inclusive para os que a ele não tiveram acesso
na idade própria. É básico na formação
do cidadão, pois, de acordo com a Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Nacional, em seu art.
32, o pleno domínio da leitura, da escrita e
do cálculo constituem meios para o desenvolvimento
da capacidade de aprender e de se relacionar tanto social
quanto politicamente.
Além
de ser prioridade a oferta de Ensino Fundamental a toda
a população do município, é
ponto crucial deste Plano Municipal de Educação
a erradicação do analfabetismo, o acesso
e a permanência, na escola, de todos, crianças,
jovens e adultos, que ainda se encontrem em situação
de não-escolaridade. Para tanto, há que
se promover a continuidade do processo de democratização
do Ensino Fundamental, garantindo o acesso e a permanência
do educando na escola, proporcionando a ele as condições
necessárias para que obtenha êxito, sem
discriminação de qualquer natureza.
Os
princípios norteadores para a prática
pedagógica que objetive o ensino de qualidade
estão expressos nas Diretrizes Curriculares Nacionais:
Ø
os princípios éticos da autonomia, da
responsabilidade, da solidariedade e do respeito ao
bem comum;
Ø
os princípios políticos dos direitos e
deveres da cidadania, do exercício da criticidade
e do respeito à ordem democrática;
Ø
os princípios estéticos da sensibilidade,
da criatividade e do respeito à diversidade de
manifestações artísticas e culturais.”
As
diretrizes norteadoras do Ensino Fundamental estão
contidas na Constituição Federal, na Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
e nas Diretrizes Curriculares nacionais e estaduais.
Segundo
o Plano Nacional de Educação/2001, o Ensino
Fundamental deverá atingir sua universalização
nos cinco primeiros anos de sua vigência, sob
responsabilidade do Poder Público; considerando
a indissociabilidade entre acesso, permanência
e qualidade da Educação escolar, sendo
um direito não apenas à matrícula
ao Ensino Fundamental, mas também ao ensino de
qualidade até a sua conclusão.
A
oferta do Ensino Fundamental a toda população,
inclusive àqueles que não tiveram acesso
a ele na idade própria é dever Constitucional
e uma das prioridades do Plano Municipal de Educação,
configurando-se como compromisso com o ingresso, permanência,
reingresso e sucesso.
O
Ensino Fundamental de qualidade deverá regularizar
a distorção idade-série, diminuindo
o atraso no percurso escolar resultante da repetência
e da evasão escolar. A criação
de condições próprias para a aprendizagem,
adequação de espaços, tempos e
recursos didáticos devem ser consideradas para
estes jovens com mais de 14 anos que ainda se encontram
no Ensino Fundamental.
A
oferta qualitativa deverá permitir que crianças
e adolescentes permaneçam na escola o tempo necessário
para concluir este nível de ensino, eliminando
o analfabetismo e elevando gradativamente a escolaridade
da população, sendo básico na formação
do cidadão por possibilitar o pleno domínio
da leitura, da escrita e do cálculo que são
meios para o desenvolvimento da capacidade de aprender
e de se relacionar tanto social quanto politicamente.
A
escola tem responsabilidades sociais, especialmente
com as crianças e jovens carentes, com procedimentos
como renda mínima associada à educação,
alimentação escolar, livro didático
e transporte escolar sendo compromisso do Poder Público,
em parceria das três esferas administrativas Município,
Estado e a União.
A
inclusão de portadores de necessidades educacionais
especiais no ensino regular demanda adequações
na infra-estrutura física das escolas e nos recursos
pedagógicos, disponibilizando profissionais docentes
qualificados e equipes multidisciplinares.
O
projeto pedagógico da escola será orientado
pelo princípio democrático da participação,
através do funcionamento dos conselhos escolares.
Os
Parâmetros Curriculares Nacionais expressam a
base curricular necessária ao desenvolvimento
de habilidades do mundo atual. Além das disciplinas
tradicionais há a inserção de temas
transversais, relacionados ao cotidiano da maioria da
população, como ética, meio ambiente,
pluralidade cultural, trabalho e consumo, sexualidade,
drogas, trânsito, entre outros, configurando-se
como importante proposta e eficiente orientação
para os professores. Esta estrutura curricular deverá
estar sempre em concordância com as diretrizes
emanadas do Conselho Nacional e Estadual de Educação
e do Conselho Municipal de Educação em
funcionamento e do Sistema Municipal de Ensino, quando
criado.
4.3.
Objetivos e Metas
EM
ANEXO A ESSE DOCUMENTO.
|
| 5.1
– Caracterização e Diagnóstico
Considerando o processo de modernização
em curso no País, o Ensino Médio tem um
importante papel a desempenhar. Tanto nos países
desenvolvidos quanto nos que lutam para superar o subdesenvolvimento,
a expansão do Ensino Médio pode ser um
poderoso fator de formação para a cidadania
e de qualificação profissional.Justamente
em virtude disso, no caso brasileiro, é particularmente
preocupante o reduzido acesso ao Ensino Médio,
muito menor que nos demais países latino-americanos
em desenvolvimento, embora as estatísticas demonstrem
que os concluintes do Ensino Fundamental começam
a chegar à terceira etapa da Educação
Básica em número um pouco maior, a cada
ano.
Se o fluxo escolar fosse regular, o Ensino Médio
comportaria bem menos que metade de jovens desta faixa
etária. Isso é muito pouco, especialmente
quando se considera a acelerada elevação
do grau de escolaridade exigida pelo mercado de trabalho.
A situação agrava-se quando se considera
que, no caso do Ensino Médio, os cálculos
das taxas de atendimento dessa faixa etária são
pouco confiáveis, por diversas razões.
Em primeiro lugar porque, em virtude das elevadas taxas
de repetência no Ensino Fundamental, os jovens
chegam ao Ensino Médio bem mais velhos. Em segundo
lugar, porque há um grande número de adultos
que volta à escola vários anos depois
de concluir o Ensino Fundamental.
Em virtude dessas duas condições, o Ensino
Médio atende majoritariamente jovens e adultos
com idade acima da prevista para este nível de
ensino, devendo-se supor que já estejam inseridos
no mercado de trabalho.
O número reduzido de matrículas no Ensino
Médio – apenas cerca de 30,8% da população
de 15 a 17 anos não se explica, entretanto, por
desinteresse do Poder Público em atender à
demanda, pois a oferta de vagas na 1ª série
do Ensino Médio tem sido consistentemente superior
ao número de egressos da 8ª série
do Ensino Fundamental. A exclusão ao Ensino Médio
deve -se às baixas taxas de conclusão
do Ensino Fundamental, que, por sua vez, estão
associadas à baixa qualidade daquele nível
de ensino, da qual resultam elevados índices
de repetência e evasão.
O Ensino Médio convive, também, com alta
seletividade interna. Se os alunos estão chegando
em maior número a esse nível de ensino,
os índices de conclusão nas últimas
décadas sinalizam que há muito a ser feito.
Causas externas ao sistema educacional contribuem para
que adolescentes e jovens se percam pelos caminhos da
escolarização, agravadas por dificuldades
da própria organização da escola
e do processo ensino -aprendizagem. Os números
do abandono e da repetência, apesar da melhoria
dos últimos anos, ainda são bastante desfavoráveis.
Há, entretanto, aspectos positivos no panorama
do Ensino Médio brasileiro. O mais importante
deles é que este foi o nível de ensino
que apresentou maior taxa de crescimento nos últimos
anos, em todo o sistema.
Quanto ao financiamento do Ensino Médio, a Emenda
Constitucional nº 14, assim como a Lei de Diretrizes
e Bases, atribui aos Estados a responsabilidade pela
sua manutenção e desenvolvimento. De fato,
o surpreendente crescimento do Ensino Médio se
deve, basicamente, às matrículas na rede
estadual. A diminuição da matrícula
na rede privada atesta o caráter cada vez mais
público deste nível de ensino.
O processo de desenvolvimento do País exige a
expansão do Ensino Médio como poderoso
fator de formação para a cidadania e de
qualificação profissional.
A implementação das Novas Diretrizes Curriculares
para o Ensino Médio e os programas de formação
de professores, sobretudo nas áreas de Ciências
e Matemática irão influir diretamente
na melhoria da qualidade.
Com a implantação do FUNDEB os recursos
que eram aplicados no Ensino Fundamental passaram a
ser aplicados também na Educação
Infantil e no Ensino Médio, aumentando de 15%
de determinados impostos para 20%, em 3 anos, devendo
ocorrer um aumento significativo para este nível.
5.2
– Diretrizes
O aumento lento, mas contínuo, do número
dos que conseguem concluir a escola obrigatória,
associado à tendência para a diminuição
da idade dos concluintes, vai permitir que um crescente
número de jovens ambicione uma carreira educacional
mais longa. Assim, a demanda pelo Ensino Médio
– terceira etapa da Educação Básica
– vai compor-se, também, de segmentos já
inseridos no mercado de trabalho, que aspirem melhoria
social e salarial e precisem dominar habilidades que
permitem assimilar e utilizar, produtivamente, recursos
tecnológicos novos e em acelerada transformação.
Pelo caráter que assumiu na história educacional
de quase todos os países, a Educação
média é particularmente vulnerável
à desigualdade social. Na disputa permanente
entre orientações profissionalizantes
ou acadêmicas, entre objetivos humanistas ou econômicos,
a tensão expressa nos privilégios e nas
exclusões decorre da origem social. Em vista
disso, o Ensino Médio deverá enfrentar
o desafio dessa dualidade com oferta de escola média
de qualidade a toda a demanda. Uma Educação
que propicie aprendizagem de competências de caráter
geral, forme pessoas mais aptas a assimilar mudanças,
mais autônomas em suas escolhas, que respeitem
as diferenças e superem a segmentação
social.
As metas de expansão da oferta e de melhoria
da qualidade do Ensino Médio devem estar associadas,
de forma clara, a diretrizes que levem à correção
do fluxo de alunos na escola básica, hoje com
índices de distorção idade-série
inaceitáveis.
Reconhece-se que a carência de professores da
área de Ciências constitui problema que
prejudica a qualidade do ensino e dificulta tanto a
manutenção dos cursos existentes como
sua expansão.
Assim, as diretrizes do Plano Nacional de Educação
apontam para a criação de incentivos e
a retirada de todo obstáculo para que os jovens
permaneçam no sistema escolar e, aos 17 ou 18
anos de idade, estejam concluindo a Educação
Básica com uma sólida formação
geral.
A demanda pelo Ensino Médio vai compor-se, também,
de segmentos já inseridos no mercado de trabalho,
que aspirem melhoria social e salarial e precisem dominar
habilidades que permitem assimilar e utilizar, produtivamente,
recursos tecnológicos novos e em acelerada transformação.
O Ensino Médio deverá enfrentar o desafio
entre orientações profissionalizantes
ou acadêmicas, entre objetivos humanistas ou econômicos,
com oferta de escola média de qualidade a toda
a demanda.
Preparando jovens e adultos para os desafios da modernidade,
o Ensino Médio deverá permitir aquisição
de competências relacionadas ao pleno exercício
da cidadania e da inserção produtiva:
auto-aprendizagem; percepção da dinâmica
social e capacidade para nela intervir; compreensão
dos processos produtivos; capacidade de observar, interpretar
e tomar decisões; domínio de aptidões
básicas de linguagens, comunicação,
abstração; habilidades para incorporar
valores éticos de solidariedade, cooperação
e respeito às individualidades.
As metas de expansão da oferta e de melhoria
da qualidade do Ensino Médio devem estar associadas,
de forma clara, a diretrizes que levem à correção
do fluxo de alunos na escola básica, hoje com
índices de distorção idade-série
inaceitáveis.
A reavaliação do currículo do Ensino
Médio deverá permitir a aquisição
de competências relacionadas ao pleno exercício
da cidadania e da inserção produtiva:
Ø a auto-aprendizagem (capacidade de aprender
a aprender por toda a vida);
Ø percepção da dinâmica social
e capacidade para nela intervir;
Ø compreensão dos processos produtivos;
Ø capacidade de observar, interpretar e tomar
decisões;
Ø domínio de aptidões básicas
de linguagens, comunicação, abstração;
Ø habilidades para incorporar valores éticos
de solidariedade, cooperação e respeito
às individualidades.
O estabelecimento de um sistema de avaliação
é essencial para o acompanhamento dos resultados
do Ensino Médio e correção de seus
equívocos. O Sistema de Avaliação
da Educação Básica (SAEB) e, mais
recentemente, o Exame Nacional do Ensino Médio
(ENEM) e os sistemas estatísticos já disponíveis,
constituem importantes mecanismos para promover a eficiência
e a igualdade do Ensino Médio.
5.3. Objetivos e Metas
EM ANEXO A ESSE DOCUMENTO. |
6
- EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA E FORMAÇÃO
PROFISSIONAL
|
6.1
– Caracterização e Diagnóstico
Não há informações precisas,
no Brasil, sobre a oferta de formação
para o trabalho, justamente porque ela é muito
heterogênea.
A heterogeneidade e a diversidade são elementos
positivos, pois permitem atender a uma demanda muito
variada. Mas há fatores preocupantes. O principal
deles é que a oferta é pequena: embora,
de acordo com as estimativas mais recentes, já
atinja, cerca de cinco milhões de trabalhadores,
está longe de atingir a população
de jovens que precisa se preparar para o mercado de
trabalho e a de adultos que a ele precisa se readaptar.
O maior problema, no que diz respeito às escolas
técnicas públicas de nível médio,
é que a alta qualidade do ensino que oferecem
está associada a um custo extremamente alto para
sua instalação e manutenção,
o que torna inviável uma multiplicação
capaz de poder atender ao conjunto de jovens que procura
formação profissional. Além disso,
em razão da oferta restrita, criou-se um sistema
de seleção que tende a favorecer os alunos
de maior renda e melhor nível de escolarização,
afastando os jovens trabalhadores, que são os
que dela mais necessitam.
Embora não existam estatísticas detalhadas
a respeito, sabe-se que a maioria das habilitações
de baixo custo e prestígio encontra-se em instituições
de ensino noturnas estaduais ou municipais. Em apenas
15% delas há bibliotecas, menos de 5% oferecem
ambiente adequado para estudo das ciências e nem
2% possuem laboratório de informática
– indicadores da baixa qualidade do ensino que
oferecem às camadas mais desassistidas da população.
Há muito, o País selou a Educação
profissional de qualquer nível, mas sobretudo
o médio, como forma de separar aqueles que não
se destinariam às melhores posições
na sociedade. Um cenário que as diretrizes da
Educação profissional propostas neste
plano buscam superar, ao prever que o cidadão
brasileiro deve galgar – com apoio do Poder Público
– níveis altos de escolarização,
até porque estudos têm demonstrado que
o aumento de um ano na média educacional da população
economicamente ativa determina um incremento de 5,5
% do PIB (Produto Interno Bruto). Nesse contexto, a
elevação da escolaridade do trabalhador
coloca-se como essencial para a inserção
competitiva do Brasil no mundo globalizado.
6.2 – Diretrizes
Há um consenso nacional: a formação
para o trabalho exige hoje níveis cada vez mais
altos de Educação Básica, geral,
não podendo esta ficar reduzida à aprendizagem
de algumas habilidades técnicas, o que não
impede o oferecimento de cursos de curta duração
voltados para a adaptação do trabalhador
às oportunidades do mercado de trabalho, associados
à promoção de níveis crescentes
de escolarização regular. Finalmente,
entende-se que a Educação profissional
não pode ser concebida apenas como uma modalidade
de Ensino Médio, mas deve constituir Educação
continuada, que perpassa toda a vida do trabalhador.
É importante também considerar que a oferta
de Educação profissional é responsabilidade
igualmente compartilhada entre o setor educacional,
o Ministério do Trabalho, secretarias do trabalho,
serviços sociais do comércio, da agricultura
e da indústria e os sistemas nacionais de aprendizagem.
Os recursos provêm, portanto, de múltiplas
fontes. É necessário também, e
cada vez mais, contar com recursos das próprias
empresas, as quais devem financiar a qualificação
dos seus trabalhadores, como ocorre nos países
desenvolvidos. A política de Educação
profissional é, portanto, tarefa que exige a
colaboração de múltiplas instâncias
do Poder Público e da sociedade civil.
6.3 – Objetivos e Metas
EM ANEXO A ESSE DOCUMENTO. |
7
– EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
|
7.1
– Caracterização e Diagnóstico
A Constituição Federal determina como
um dos objetivos do Plano Nacional de Educação
a integração de ações
do poder público que conduzam à erradicação
do analfabetismo (art. 214, I).
Os déficits do atendimento no Ensino Fundamental
resultaram, ao longo dos anos, num grande número
de jovens e adultos que não tiveram acesso
ou não lograram terminar o Ensino Fundamental
obrigatório.
Embora tenha havido progresso com relação
a essa questão, o número de analfabetos
é ainda excessivo. Atinge 16 milhões
de brasileiros maiores de 15 anos. O analfabetismo
está intimamente associado às taxas
de escolarização e ao número
de crianças fora da escola.
Uma concepção ampliada de alfabetização,
abrangendo a formação equivalente às
oito séries do Ensino Fundamental, aumenta
a população a ser atingida, pois, é
muito elevado o número de jovens e adultos
que não lograram completar a escolaridade obrigatória.
Embora o analfabetismo esteja concentrado nas faixas
etárias mais avançadas e as taxas tenham
se reduzido, há também uma redução
insuficiente do analfabetismo ao longo do tempo. As
gerações antigas não podem ser
consideradas como as únicas responsáveis
pelas taxas atuais. O problema não se resume
a uma questão demográfica. Como há
reposição de número analfabetos,
além do fenômeno da regressão,
é de se esperar que apenas a dinâmica
demográfica seja insuficiente para promover
a redução em níveis razoáveis
nos próximos anos. Por isso, para acelerar
a redução do número analfabetismo
é necessário agir ativamente tanto sobre
os analfabetos existentes quanto sobre as futuras
gerações.
| TABELA
Nº 08 - EDUCAÇÃO DE JOVENS
E ADULTOS: MATRÍCULA INICIAL
ESCOLAS
ESTADUAIS, MUNICIPAIS E PRIVADAS - PERÍODO:
2004 A 2006.
|
|
ESTADUAL |
| ANO |
1ª/4ª
|
5ª/8ª
|
TOTAL
|
|
2004 |
- |
3.236 |
- |
|
2005 |
- |
3.035
|
- |
|
2006 |
- |
3.134 |
- |
|
TOTAL |
- |
9.405 |
- |
|
MUNICIPAL |
| ANO |
1ª/4ª
|
5ª/8ª
|
TOTAL
|
|
2004 |
935 |
3.049 |
3.984 |
|
2005 |
757 |
2.881 |
3.638 |
|
2006 |
568 |
2.535 |
3.103 |
|
TOTAL |
2.260 |
8.465 |
10.725 |
|
PRIVADA |
| ANO |
1ª/4ª
|
5ª/8ª
|
TOTAL
|
| 2004 |
- |
276 |
- |
| 2005 |
- |
362 |
- |
| 2006 |
- |
271 |
- |
| TOTAL |
- |
809 |
- |
|
TOTAL |
| ANO |
1ª/4ª
|
5ª/8ª
|
TOTAL
|
| 2004 |
935 |
6.561 |
7.496 |
| 2005 |
757 |
6.278 |
7.035 |
| 2006 |
568 |
5.940 |
6.508 |
| TOTAL |
2.260 |
18.379 |
20.639 |
Fonte: Relatórios da SME |
7.2 – Diretrizes
As profundas transformações
que vêm ocorrendo em escala mundial, em virtude
do acelerado avanço científico e tecnológico
e do fenômeno da globalização,
têm implicações diretas nos valores
culturais, na organização das rotinas
individuais, nas relações sociais, na
participação política, assim
como na reorganização do mundo do trabalho.
A necessidade de contínuo desenvolvimento de
capacidades e competências para enfrentar essas
transformações alterou a concepção
tradicional de Educação de Jovens e
Adultos, não mais restrita a um período
particular da vida ou a uma finalidade circunscrita.
Desenvolve-se o conceito de Educação
ao longo de toda a vida, que há de se iniciar
com a alfabetização. Mas não
basta ensinar a ler e a escrever. Para inserir a população
no exercício pleno da cidadania, melhorar sua
qualidade de vida e de fruição do tempo
livre, e ampliar suas oportunidades no mercado de
trabalho, a Educação de Jovens e Adultos
deve compreender no mínimo, a oferta de uma
formação equivalente às oito
séries iniciais do Ensino Fundamental. Da mesma
forma, deve ser garantido, aos que completaram o Ensino
Fundamental, o acesso ao Ensino Médio.
A integração dos programas de Educação
de Jovens e Adultos com a Educação profissional
aumenta sua eficácia, tornando-os mais atrativos.
É importante o apoio dos empregadores, no sentido
de considerar a necessidade de formação
permanente – o que pode dar-se de diversas formas:
organização de jornadas de trabalho
compatíveis com o horário escolar; concessão
de licenças para freqüência em cursos
de atualização; implantação
de cursos de formação de jovens e adultos
no próprio local de trabalho.
Embora o financiamento das ações pelos
poderes públicos seja decisivo na formulação
e condução de estratégias necessárias
para enfrentar o problema dos déficits educacionais,
é importante ressaltar que, sem uma efetiva
contribuição da sociedade civil, dificilmente
o analfabetismo será erradicado e, muito menos,
lograr-se-á universalizar uma formação
equivalente aos nove anos do Ensino Fundamental. Universidades,
igrejas, sindicatos, entidades estudantis, empresas,
associações de bairros, meios de comunicação
de massa e organizações da sociedade
civil em geral devem ser agentes dessa ampla mobilização.
Dada a importância de criar oportunidades de
convivência com um ambiente cultural enriquecedor,
há que se buscar parcerias com os equipamentos
culturais públicos, tais como museus e bibliotecas
e privados, como cinemas e teatros. Assim, as metas
que se seguem, imprescindíveis à construção
da cidadania no País, requerem um esforço
nacional, com responsabilidade partilhada entre a
União, os Estados e o Distrito Federal, os
Municípios e a sociedade organizada.
Não basta ensinar a ler e escrever, a Educação
de Jovens e Adultos deve compreender, no mínimo,
a oferta de uma formação equivalente
aos nove anos do Ensino Fundamental, gratuitamente,
a todos os que a ele não tiveram acesso na
idade própria (CF, art. 208, § 1º).
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional nº 9.394/96 - LDB, abre as portas para
essa proposta, “É preciso promover uma
revolução profunda nas propostas curriculares
para a EJA... (MEC, 2001, p. 90)”. As mudanças
ocorridas no mundo do trabalho, tecnologias e conhecimentos
novos, exigem uma Educação que valorize
os saberes dos alunos. A LDB nos traz dois artigos,
no Título V, Capítulo II, Seção
V, dizendo:
Art. 37 - A Educação de Jovens e Adultos
será destinada àqueles que não
tiveram acesso ou continuidade de estudos no Ensino
Fundamental e médio na idade própria.
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão
gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não
puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades
educacionais apropriadas, consideradas as características
do alunado, seus interesses, condições
de vida e trabalho, mediante cursos e exames.
§ 2º O Poder Público viabilizará
e estimulará o acesso e a permanência
do trabalhador na escola, mediante ações
integradas e complementares entre si.
Art. 38 - Os sistemas de ensino manterão cursos
e exames supletivos, que compreenderão a base
nacional comum do currículo, habilitando ao
prosseguimento de estudos em caráter regular.
§ 1º Os exames a que se refere este artigo
realizar-se-ão:
I. no nível de conclusão do Ensino Fundamental,
para os maiores de quinze anos;
II. no nível de conclusão do Ensino
Médio, para os maiores de dezoito anos.
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos
pelos educandos por meios informais serão aferidos
e reconhecidos mediante exames.
7.3.
Objetivos e Metas
EM ANEXO A ESSE DOCUMENTO.
|
8.1
– Caracterização e Diagnóstico
A
Educação Superior enfrenta, no Brasil,
sérios problemas, que se agravarão se
o Plano Nacional de Educação não
estabelecer uma política que promova sua renovação
e desenvolvimento.
Como
resultado conjugado de fatores demográficos,
aumento das exigências do mercado de trabalho,
além das políticas de melhoria do Ensino
Médio, prevê -se uma explosão na
demanda por Educação Superior. A matrícula
no Ensino Médio está crescendo nas redes
estaduais, sendo provável que o crescimento seja
oriundo de alunos das camadas mais pobres da população.
Isto é, haverá uma demanda crescente de
alunos carentes por Educação Superior.
A
manutenção das atividades típicas
das universidades - ensino, pesquisa e extensão
– que constituem o suporte necessário para
o desenvolvimento científico, tecnológico
e cultural do País, não será possível
sem o fortalecimento do setor público. Paralelamente,
a expansão do setor privado deve continuar, desde
que garantida a qualidade.
No
conjunto da América Latina, o Brasil apresenta
um dos índices mais baixos de acesso à
Educação Superior, mesmo quando se leva
em consideração o setor privado. Assim,
a porcentagem de matriculados na Educação
Superior brasileiro em relação à
população de 18 a 24 anos é de
menos de 12%, comparando-se desfavoravelmente com os
índices de outros países do continente.
As
universidades públicas têm um importante
papel a desempenhar no sistema, seja na pesquisa básica
e na pós-graduação stricto sensu,
seja como padrão de referência no ensino
de graduação. Além disso, cabe-lhe
qualificar os docentes que atuam na Educação
Básica e os docentes da Educação
Superior que atuam em instituições públicas
e privadas, para que se atinjam as metas previstas na
LDB quanto à titulação docente.
8.2
– Diretrizes
Nenhum
país pode aspirar a ser desenvolvido e independente
sem um forte sistema de Educação Superior.
A
oferta de Educação Básica de qualidade
para todos está grandemente nas mãos dessas
instituições, na medida que a elas compete
primordialmente a formação dos profissionais
do magistério; a formação dos quadros
profissionais, científicos e culturais de nível
superior, a produção de pesquisa e inovação,
a busca de solução para os problemas atuais
são funções que destacam a universidade
no objetivo de projetar a sociedade brasileira num futuro
melhor.
O
sistema de Educação Superior deve contar
com um conjunto diversificado de instituições
que atendam a diferentes demandas e funções.
Seu núcleo estratégico há de ser
composto pelas universidades, que exercem as funções
que lhe foram atribuídas pela Constituição:
ensino, pesquisa e extensão. Esse núcleo
estratégico tem como missão contribuir
para o desenvolvimento do País e a redução
dos desequilíbrios regionais, nos marcos de um
projeto nacional.
A
pressão pelo aumento de vagas na Educação
Superior, que decorre do aumento acelerado do número
de egressos da Educação média,
já está acontecendo e tenderá a
crescer. Deve-se planejar a expansão com qualidade,
evitando-se o fácil caminho da massificação.
É importante a contribuição do
setor privado, que já oferece a maior parte das
vagas na Educação Superior e tem um relevante
papel a cumprir, desde que respeitados os parâmetros
de qualidade estabelecidos pelos sistemas de ensino.
Há
necessidade da expansão das universidades públicas
para atender à demanda crescente dos alunos,
sobretudo os carentes, bem como ao desenvolvimento da
pesquisa necessária ao País, que depende
dessas instituições, uma vez que realizam
mais de 90% da pesquisa e da pós - graduação
nacionais - em sintonia com o papel constitucional a
elas reservado.
Ressalte-se
que à Educação Superior está
reservado, também, o papel de fundamentar e divulgar
os conhecimentos ministrados nos outros níveis
de ensino, assim como preparar seus professores. Assim,
não só por parte da universidade, mas
também das outras instituições
de Educação Superior deve haver não
só uma estreita articulação entre
este nível de ensino e os demais como também
um compromisso com o conjunto do sistema educacional
brasileiro.
8.3
– Objetivos e Metas
EM
ANEXO A ESSE DOCUMENTO.
|
9.1.
Caracterização e Diagnóstico
A Constituição Federal é fundamentada
na promoção do bem de todos, sem preconceitos
de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
outras formas de discriminação, define
em seu artigo 205, a Educação como um
direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento
da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação
para o trabalho. Estabelece, ainda, no artigo 206,
como um dos princípios para o ensino, a igualdade
de condições de acesso e permanência
na escola. No artigo 208, garante como dever do Estado,
o acesso aos níveis mais elevados do ensino,
bem como a oferta do atendimento educacional especializado.
O movimento mundial pela inclusão, como uma
ação política, cultural, social
e pedagógica, desencadeou a defesa do direito
de todos os alunos pertencerem a uma mesma escola,
de estarem juntos aprendendo e participando sem nenhum
tipo de discriminação. A Educação
Inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado
na concepção de direitos humanos, que
conjuga igualdade e diferença como valores
indissociáveis.
A Educação Especial, como parte da prática
educacional inclusiva, oferta o atendimento educacional
especializado, organizando recursos pedagógicos
e de acessibilidade que eliminem as barreiras e possibilitem
o acesso ao currículo, à comunicação
e aos espaços físicos, considerando
as necessidades de cada aluno, promovendo a sua formação
integral com vistas à autonomia e independência.
A Organização Mundial da Saúde
estima que aproximadamente 10% da população
possui alguma deficiência. Em 2000, o Censo
Demográfico / IBGE, usando um conceito amplo
de deficiência, identifica na população
brasileira 24.600.256 de pessoas (14,4%) com alguma
dificuldade de ouvir, enxergar, locomover-se ou deficiência
mental.
Na perspectiva da Educação Inclusiva,
a Resolução CNE/CP nº. 1/2002,
que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais
para a Formação de Professores da Educação
Básica, definem que as instituições
de ensino superior devem prever em sua organização
curricular formação docente voltada
para o “acolhimento e o trato da diversidade”,
que contemple conhecimentos sobre “as especificidades
dos alunos com necessidades educacionais especiais”.
A Política Nacional de Educação
Especial na perspectiva da Educação
Inclusiva tem como objetivo assegurar a inclusão
escolar de alunos com deficiência, transtornos
globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação,
orientando os sistemas de ensino para garantir:
Acesso com participação e aprendizagem
no ensino comum;
Oferta do atendimento educacional especializado;
Continuidade de estudos e acesso aos níveis
mais elevados de ensino;
Promoção da acessibilidade universal;
Formação continuada de professores para
o atendimento educacional especializado;
Formação dos profissionais da Educação
e comunidade escolar;
Transversalidade da modalidade de ensino especial
desde a Educação Infantil até
a Educação Superior;
Articulação intersetorial na implementação
das políticas públicas.
Apesar do crescimento das matrículas, o déficit
é muito grande e constitui um desafio imenso
para os sistemas de ensino, pois diversas ações
devem ser realizadas ao mesmo tempo. Entre elas, destacam
-se a sensibilização dos demais alunos
e da comunidade em geral para a integração,
as adaptações curriculares, a qualificação
dos professores para o atendimento nas escolas regulares
e a especialização dos professores para
o atendimento nas novas escolas especiais, produção
de livros e materiais pedagógicos adequados
para as diferentes necessidades, adaptação
das escolas para que os alunos especiais possam nelas
transitar, oferta de transporte escolar adaptado,
etc.
Mas o grande avanço que a década da
Educação deverá produzir será
a construção de uma escola inclusiva,
que garanta o atendimento à diversidade humana.
9.2
– Diretrizes
A Educação Especial se destina
às pessoas com necessidades especiais no campo
da aprendizagem, originadas quer de deficiência
física, sensorial, mental ou múltipla,
quer de características como altas habilidades,
superdotação ou talentos.
A integração dessas pessoas no sistema
de ensino regular é uma diretriz constitucional
(art. 208, III), fazendo parte da política
governamental há pelo menos uma década.
Mas, apesar desse relativamente longo período,
tal diretriz ainda não produziu a mudança
necessária na realidade escolar, de sorte que
todas as crianças, jovens e adultos com necessidades
especiais sejam atendidos em escolas regulares, sempre
que for recomendado pela avaliação de
suas condições pessoais. Uma política
explícita e vigorosa de acesso à educação,
de responsabilidade da União, dos Estados e
Distrito Federal e dos Municípios, é
uma condição para que às pessoas
especiais sejam assegurados seus direitos à
educação.
Tal política abrange: o âmbito social,
do reconhecimento das crianças, jovens e adultos
especiais como cidadãos e de seu direito de
estarem integrados na sociedade o mais plenamente
possível; e o âmbito educacional, tanto
nos aspectos administrativos (adequação
do espaço escolar, de seus equipamentos e materiais
pedagógicos), quanto na qualificação
dos professores e demais profissionais envolvidos.
O ambiente escolar como um todo deve ser sensibilizado
para uma perfeita integração. Propõe-se
uma escola integradora, inclusiva, aberta à
diversidade dos alunos, no que a participação
da comunidade é fator essencial. Quanto às
escolas especiais, a política de inclusão
as reorienta para prestarem apoio aos programas de
integração.
A Educação Especial, como modalidade
de Educação escolar, terá que
ser promovida sistematicamente nos diferentes níveis
de ensino. A garantia de vagas no ensino regular para
os diversos graus e tipos de deficiência é
uma medida importante.
Quanto mais cedo se der a intervenção
educacional, mais eficaz ela se tornará no
decorrer dos anos, produzindo efeitos mais profundos
sobre o desenvolvimento das crianças.
Considerando as questões envolvidas no desenvolvimento
e na aprendizagem das crianças, jovens e adultos
com necessidades especiais, a articulação
e a cooperação entre os setores de educação,
saúde e assistência é fundamental
e potencializa a ação de cada um deles.
Como é sabido, o atendimento não se
limita à área educacional, mas envolve
especialistas sobretudo da área da saúde
e da psicologia e depende da colaboração
de diferentes órgãos do Poder Público,
em particular os vinculados à saúde,
assistência e promoção social,
inclusive em termos de recursos.
Não há como ter uma escola regular eficaz
quanto ao desenvolvimento e aprendizagem dos educandos
especiais sem que seus professores, demais técnicos,
pessoal administrativo e auxiliar sejam preparados
para atendê-los adequadamente. As classes especiais,
situadas nas escolas "regulares", destinadas
aos alunos parcialmente integrados, precisam contar
com professores especializados e material pedagógico
adequado.
Requer-se um esforço determinado das autoridades
educacionais para valorizar a permanência dos
alunos nas classes regulares, eliminando a nociva
prática de encaminhamento para classes especiais
daqueles que apresentam dificuldades comuns de aprendizagem,
problemas de dispersão de atenção
ou de disciplina. A esses deve ser dado maior apoio
pedagógico nas suas próprias classes,
e não separá-los como se precisassem
de atendimento especial.
A Educação Especial, como modalidade
de Educação escolar, terá que
ser promovida sistematicamente nos diferentes níveis
de ensino, com a garantia de vagas no ensino regular
para os diversos graus e tipos de deficiência
dos alunos.
Várias são as fórmulas, os recursos
e as respostas que refletem maneiras de enfrentar
a diversidade na educação. As ações
educativas não podem apoiar-se na homogeneidade
de formas de trabalho, precisa ser uma Educação
interessante e desafiadora com flexibilidade para
atender as múltiplas situações.
Articulação e cooperação
entre os setores de educação, saúde
e assistência é fundamental e potencializa
a ação de cada um deles.
As adequações curriculares são
medidas pedagógicas adotadas no nível
da proposta pedagógica da escola e da sala
de aula, em relação aos objetivos, aos
conteúdos, à metodologia, à temporalidade
e à avaliação.
A formação de recursos humanos com capacidade
de oferecer o atendimento aos educandos especiais
na Educação Infantil, no Ensino Fundamental,
EJA, Médio e suas modalidades é uma
prioridade para o Plano Municipal de Educação.
9.3 – Objetivos e Metas
EM ANEXO A ESSE DOCUMENTO.
|
10
- EDUCAÇÃO INDÍGENA E QUILOMBOLA
|
10.1.
Caracterização e Diagnóstico
Os grupos sociais se apropriam diferentemente
do espaço a partir do seu pertencimento a uma
determinada cultura e as próprias condições
físicas desse espaço. A cultura pode ser
entendida como o conjunto de manifestações
que caracteriza os grupos, o que unifica e diferencia
dos demais, como língua, crenças, técnicas
de produção, rituais, etc.
Segundo
Rodrigues (1989:132):
“[...] as culturas são sistemas
simbólicos. Dito de outro modo: mais que um somatório
de valores, artefatos, crenças, mitos, rituais,
comportamento, etc (...), cada cultura é uma
gramática que delineia e gera os elementos que
a constituem e lhe são pertinentes, além
de atribuir sentido às relações
entre os mesmos. As culturas não se definem apenas
por seus vocábulos, mas principalmente pelas
regras que regulam a sintaxe das relações
entre os seus elementos”.
Dessa forma, é importante identificar os grupos
sociais que estão em um determinado espaço,
como forma de compreender a dinâmica de interação
entre eles e o lugar onde vivem.
As comunidades tradicionais são aquelas que geralmente
vivem no meio rural e se baseiam nos conhecimentos passados
de geração para geração,
a partir de elementos do meio ambiente natural. No caso
do Brasil, segundo o Núcleo de Apoio à
Pesquisa sobre Populações Humanas e Áreas
Úmidas Brasileiras (NUPAUB – USP)1, são
povos tradicionais: indígenas, caiçaras,
bagaceiros, jangadeiros, pantaneiros, pastoreio, pescadores,
praieiros, quilombolas, ribeirinhos amazônicos,
ribeirinhos não amazônicos, açorianos,
sertanejos e sitiantes. No caso de Viamão, vamos
nos ater às comunidades indígenas e quilombolas.
No Brasil, desde o século XVI, a oferta de programas
de Educação escolar às comunidades
indígenas esteve pautada pela catequização,
civilização e integração
forçada dos índios à sociedade
nacional. Dos missionários jesuítas aos
positivistas do Serviço de Proteção
aos Índios, do ensino catequético ao ensino
bilíngüe, a tônica foi uma só:
negar a diferença, assimilar os índios,
fazer com que eles se transformassem em algo diferente
do que eram. Nesse processo, a instituição
da escola entre grupos indígenas serviu de instrumento
de imposição de valores alheios e negação
de identidades e culturas diferenciadas.
Só em anos recentes esse quadro começou
a mudar. Grupos organizados da sociedade civil passaram
a trabalhar junto com comunidades indígenas,
buscando alternativas à submissão desses
grupos, como a garantia de seus territórios e
formas menos violentas de relacionamento e convivência
entre essas populações e outros segmentos
da sociedade nacional.
A escola entre grupos indígenas ganhou, então,
um novo significado e um novo sentido, como meio para
assegurar o acesso a conhecimentos gerais sem precisar
negar as especificidades culturais e a identidade daqueles
grupos.
O abandono da previsão de desaparecimento físico
dos índios e da postura integracionista que buscava
assimilar os índios à comunidade nacional,
porque os entendia como categoria étnica e social
transitória e fadada à extinção,
está integrado nas mudanças e inovações
garantidas pelo atual texto constitucional e fundamenta-se
no reconhecimento da extraordinária capacidade
de sobrevivência e mesmo de recuperação
demográfica, como se verifica hoje, após
séculos de práticas genocidas.
As pesquisas mais recentes indicam que existem hoje
entre 280.000 e 329.000 índios em terras indígenas,
constituindo cerca de 210 grupos distintos. Não
há informações sobre os índios
urbanizados, e muitos deles preservam suas línguas
e tradições.
O tamanho reduzido da população indígena,
sua dispersão e heterogeneidade tornam particularmente
difícil a implementação de uma
política educacional adequada. Por isso mesmo,
é de particular importância o fato de a
Constituição Federal ter assegurado o
direito das sociedades indígenas a uma Educação
escolar diferenciada, específica, intercultural
e bilíngüe, o que vem sendo regulamentado
em vários textos legais. Só dessa forma
se poderá assegurar não apenas sua sobrevivência
física, mas também étnica, resgatando
a dívida social que o Brasil acumulou em relação
aos habitantes originais do território.
A transferência da responsabilidade pela Educação
Indígena da Fundação Nacional do
Índio para o Ministério da Educação
não representou apenas uma mudança do
órgão federal gerenciador do processo.
Representou também uma mudança em termos
de execução: se antes as escolas indígenas
eram mantidas pela FUNAI (ou por Secretarias Estaduais
e Municipais de educação, através
de convênios firmados com o órgão
indigenista oficial), agora cabe aos Estados assumirem
tal tarefa. A estadualização das escolas
indígenas e, em alguns casos, sua municipalização
ocorreram sem a criação de mecanismos
que assegurassem uma certa uniformidade de ações
que garantissem a especificidade destas escolas.
Não há, hoje, uma clara distribuição
de responsabilidades entre a União, os Estados
e os Municípios, o que dificulta a implementação
de uma política nacional que assegure a especificidade
do modelo de Educação intercultural e
bilíngüe às comunidades indígenas.
Há também a necessidade de regularizar
juridicamente as escolas indígenas, contemplando
as experiências bem sucedidas em curso e reorientando
outras para que elaborem regimentos, calendários,
currículos, materiais didático-pedagógicos
e conteúdos programáticos adaptados às
particularidades étno-culturais e lingüísticas
próprias a cada povo indígena.
A relação de um indígena da etnia
Mbya Guarani, como os que vivem em Viamão, é
diferente de um indígena de uma outra etnia,
como os Kaingang, presentes em outras regiões
do Estado do Rio Grande do Sul. A questão da
mobilidade entre os Guaranis é fundamental para
se compreender outros aspectos da sua cultura. Eles
estão constantemente em trânsito, a convite
de parentes, visitas a xamãs, casamentos, etc.
Essa característica marcante dos Mbya não
é considerada adequadamente na maioria dos processos
de demarcação oficial e, portanto, artificial
dos seus territórios.19 Segundo a antropóloga
Maria Inês Ladeira:
“[...] O território ou mundo Guarani Mbya,
enquanto espaço cartográfico e geográfico,
é fragmentado e compartilhado por diferentes
sociedades e grupos sociais. Em contraposição,
as aldeias ou tekoa – “lugar onde vivem
segundo seus costumes e leis” – não
podem abrigar outros grupos humanos. O espaço
físico de um tekoa deve conter recursos naturais
preservados e permitir a privacidade da comunidade.
Entretanto, a fragmentação atual das aldeias,
definidas por limites artificiais em função
do reconhecimento público e oficial de outras
ocupações (tais como fazendas, loteamentos,
estradas, projetos de abastecimento etc.), inviabiliza-as
enquanto espaço que garanta a subsistência
da própria comunidade. Apesar disso verifica-se,
nas diversas aldeias, um modo peculiar de apreensão,
construção e organização
do espaço, desenvolvido através do exercício
social, político , religioso e do manejo de espécies
tradicionais.[...]”
Em Viamão, são três áreas
indígenas: a Reserva Indígena Canta Galo,
com 128 pessoas divididas em 27 famílias e numa
área de 48ha; a Reserva Indígena da Estiva
com 79 pessoas e 17 famílias em 7ha e a Aldeia
Itapoã com 14 famílias e 22ha. Essas áreas
são habitadas por indígenas da etnia Mbyá
Guarani. É importante notar que a demarcação
e regularização das terras indígenas,
muitas vezes não dá conta das necessidades
desses povos e nem é garantia de sua preservação
enquanto grupo e de seus costumes e tradições.
Ainda mais quando faz parte da sua cosmologia (modo
de viver) o constante deslocamento, característica
também de diversas outras etnias. E esse quadro
se complexifica ainda mais se nos basearmos inteiramente
em nossa lógica cultural. Se 5 ha são
suficientes, por exemplo, para assentar uma família
no meio rural, é bem possível que isso
não seja para uma família indígena.
E a terra tradicional indígena não é
qualquer uma, mas aquela que abriga os restos dos seus
antepassados, o rio onde é realizada a iniciação
dos jovens, a floresta onde possui determinadas plantas
utilizadas em seus rituais sagrados, enfim, aquela onde
vivem e reproduzem historicamente o seu modo de vida.
Portanto, o simples “assentamento” dessas
comunidades em uma área qualquer, não
garante a sobrevivência e preservação
do grupo e suas tradições, sendo que uma
gama de aspectos devem ser devidamente considerados
de forma a não desestruturar o grupo.
Brevemente, a reserva é a área escolhida
(órgãos públicos) para abrigar
uma comunidade indígena, sendo que na maioria
das vezes, ela não está em território
tradicional. Já a aldeia, é o local onde
o grupo vive, seja numa reserva ou em qualquer outro
lugar.
Segundo dados do ISA (Instituto Socioambiental, 2005),
146 TIs (23,29% das áreas indígenas brasileiras)
ainda não foram identificadas ou estão
em estágio primário de identificação,
apesar de a Constituição de 1988 ter estipulado
o ano de 2003 como meta para que todas as terras indígenas
do país estivessem homologadas. Trinta e cinco
TIs (5,58%) estão no estágio de identificadas
ou aprovadas, e 34 (5,42%) foram declaradas (15 reservadas,
70 homologadas e 327 registradas). Geralmente não
estão divididos por famílias nucleares,
mas por grupos familiares de parentesco.
Diferentemente dos indígenas, que já estavam
por todo o continente (diversas etnias) antes mesmo
da colonização européia a partir
do século XVI, os negros foram tirados dos seus
territórios e aqui escravizados. Libertos, formaram
comunidades, sendo que muitas delas existem e começam
(a partir da Constituição de 1988), finalmente,
a terem os seus direitos formalmente reconhecidos.
Professora de Antropologia da UFSC e coordenadora do
Núcleo de Estudos sobre Identidade e Relações
Interétnicas, Ilka B. Leite, afirma que:
“[...] Os negros, diferentemente dos índios
- considerados como da terra-, enfrentaram muitos questionamentos
sobre a legitimidade de apropriarem-se de um lugar,
cujo espaço pudesse ser organizado conforme suas
condições, valores e práticas culturais.(...)
Em diferentes partes do Brasil, sobretudo após
a Abolição (1888), os negros foram desqualificados
e os lugares em que habitam foram abandonados pelo poder
público ou mesmo questionados por outros grupos
recém-chegados, com maior poder e legitimidade
junto ao Estado. O usufruto, a posse e a propriedade
dos recursos naturais tornaram-se, ao longo do processo
de formação social brasileira, cada vez
mais, moeda de troca, configurando um sistema disfarçadamente
hierarquizado pela cor da pele e onde a cor passou a
instruir níveis de acesso (principalmente à
escola e à compreensão do valor da terra),
passou mesmo a ser valor embutido no negócio.
Processos de expropriação reforçaram
a desigualdade destes negócios, de modo a ser
possível hoje identificar nitidamente quem foram
os ganhadores e perdedores e quem, ao longo deste processo,
exerceu e controlou as regras que definem quem tem o
direito de se apropriar.[...]”
Em Viamão há duas comunidades quilombolas,
segundo consta em relatório da Emater, a Comunidade
do Cantão na estrada das Lombas e a de Barragem,
em Estância Grande. Na primeira comunidade, havia
em janeiro de 2005, 62 pessoas, em 18 famílias,
sendo que ela existe desde o período da libertação
dos escravos. A terra foi obtida neste período
através de doação da viúva
de um proprietário. Estimasse que a área
era de aproximadamente 40ha, sendo que hoje não
ultrapassa os 20ha, por volta de 1 ha por família.
A produção é basicamente para a
subsistência das famílias. Os principais
produtos são a mandioca, o milho e a criação
de alguns animais. Alguns problemas apontados no diagnóstico
são a questão da falta de abastecimento
de água e de instalações sanitárias.
A falta de condições adequadas de infra-estrutura
e serviços, além da falta de emprego,
tem levado muitos jovens a buscar emprego no meio urbano,
afastando-os dessa forma, da comunidade e assim, desestruturando-na,
podendo até levar a sua extinção.
A outra comunidade é a Barragem, em menção
à construção de uma barragem na
década de 50 que favoreceu os rizicultores e
deixou submersas algumas áreas da comunidade,
que também havia sido doação da
matriarca Anastácia, casada na Capela Matriz
de Viamão, em abril de 1928. Terra que foi habitada
por seus descendentes, onde atualmente vivem, praticamente
só idosos entre 60 e 80 anos, que sobrevivem
de aposentadorias e ajudas. Vera R. R. da Silva em seu
artigo trata da questão a invisibilidade dos
negros em Viamão e no Estado do Rio Grande do
Sul a partir do caso dessa comunidade quilombola:
“[...] O município de Viamão registra,
em sua história, a construção de
uma capela que lhe deu origem, mas sem precisar com
exatidão qual a mão-de-obra que a erigiu.
Resgata-se a memória de seus colonizadores açorianos,
dos estancieiros, dos heróis farroupilhas que
por lá estiveram, mas nada ou pouco se sabe acerca
dos "diferentes", daqueles que talvez justifiquem
localidades como Passo dos Negros, Barro Vermelho ou
Lombas.[...]”
10.2
– Diretrizes
A Constituição Federal assegura
às comunidades indígenas a utilização
de suas línguas maternas e processos próprios
de aprendizagem.
A coordenação das ações
escolares de Educação Indígena
está, hoje, sob responsabilidade do Ministério
de Educação, cabendo aos Estados e Municípios,
a sua execução.
A proposta de uma escola indígena diferenciada,
de qualidade, representa uma grande novidade no sistema
educacional do País e exige das instituições
e órgãos responsáveis a definição
de novas dinâmicas, concepções e
mecanismos, tanto para que estas escolas sejam de fato
incorporadas e beneficiadas por sua inclusão
no sistema oficial, quanto para que sejam respeitadas
em suas particularidades.
A Educação bilíngüe, adequada
às peculiaridades culturais dos diferentes grupos,
é melhor atendida através de professores
índios. É preciso reconhecer que a formação
inicial e continuada dos próprios índios,
enquanto professores de suas comunidades, deve ocorrer
em serviço e concomitantemente à sua própria
escolarização.
Como se procurou mostrar anteriormente, não é
possível tratar dos diversos grupos sociais sem
compreender o espaço no qual estão localizados,
onde se reproduzem fisicamente e reproduzem também
as suas práticas inovando-as constantemente.
Sendo assim, as suas culturas não são
estáticas, pois dinamizam o seu modo de vida
e, portanto, não devem ser apreendidas enquanto
‘peças de museus’, mantendo-as intocadas.
No entanto, muitas políticas públicas
que tratam de conhecimento tradicionais não reconhecem
a vitalidade cultural desses grupos.
A própria sobrevivência dos povos está
relacionada com a dinamização e transformação
dos hábitos e, assim, da própria cultura.
Mas não é por isso que os conhecimentos
tradicionais não devem ser preservados sem, no
entanto, de forma a fixá-los temporalmente. Os
rituais, por exemplo, não são realizados
absolutamente da mesma forma que há séculos
atrás. Se as plantas de uma floresta são
necessárias em uma determinada cerimônia,
a proibição da sua coleta pode gerar grandes
impactos nas comunidades, dependendo da importância,
aqui no caso, da planta para aquela cultura e a possibilidade
ou não de ser encontrada em outro lugar. Outro
exemplo pode ser a cerâmica ou o trançado
em fibras. São conhecimentos passados de geração
em geração, que permite que o modo de
vida das pessoas daquele grupo seja mantido, além
de permitir a relação entre essas pessoas
a partir do seu lugar no grupo, que pode ser ordenado
pelo conhecimento das técnicas (pesca, construção
de barcos, etc), pelo poder de manipular as plantas
com a finalidade da cura(xamãs), etc. O conhecimento
assim gera ordenamento social. É importante que
os conhecimentos tradicionais não sejam preservados
apenas como forma de saber como os grupos faziam e fazem
determinadas tarefas ou rituais, ou seja, por mera curiosidade
(podendo cair na exotização), mas inclusive
para se refletir sobre outras formas de conhecimento,
além do científico, tão valorizado
pela sociedade ocidental.
A questão do território é ainda
mais fundamental quando tratamos de comunidades tradicionais,
como é o caso de populações indígenas
e quilombolas, pois a sobrevivência dessas comunidades
se assenta primordialmente sobre a terra, que historicamente
abriga essas culturas, e onde há manifestações
delas, seja um cemitério que abriga toda a ancestralidade
das famílias, uma floresta de onde tiram ‘a
cura’ dos seus males, locais sagrados, etc. E
nesses casos ou na maioria deles, a terra organiza,
em certa medida, as relações entre os
indivíduos e deles com o meio ambiente natural,
de onde garantem diretamente a sua sobrevivência
física e tem uma íntima relação
com a própria identidade do grupo.
Em um mesmo município (podemos pensar na artificialidade
dos seus limites), os diversos grupos que se relacionam,
gerando conflito em alguns casos. Um dos principais
motivos é a questão da sobreposição
territorial interesses divergentes. No caso de Viamão,
as duas comunidades quilombolas, a de Lombas e a da
Estância Grande, foram perdendo suas terras para
os grandes agricultores de arroz ao longo dos anos.
A preocupação na demarcação
das terras quilombolas é relativamente tardia
em nosso país, já que foi somente com
a Constituição de 1988, sendo que os processos
são lentos, enquanto a expansão dos latifúndios
é extremamente voraz. O mesmo acontece com os
territórios indígenas com o agravante
de, nesses casos, as fronteiras estabelecidas judicialmente,
ainda que passando por laudos técnicos, são
profundamente artificiais, principalmente no caso de
grupos que culturalmente se deslocam constantemente
por tudo aquilo que um dia lhes pertenceu, antes da
chegada dos colonizadores. De certa forma, os interesses
em torno dos territórios serão marcantes
na relação entre os grupos, sendo que
a integração entre eles não se
dá naturalmente. Ainda mais no caso de obscurecimento
de algumas comunidades, principalmente através
do abandono do poder público local, o que pode
gerar a sua desestruturação por falta
de condições adequadas de sobrevivência.
A pobreza tem atingido essas comunidades e levado, principalmente
os mais jovens, às periferias, onde devem habitar
em lugares inadequados, onde suas precárias condições
econômicas lhes permitem, como áreas de
mananciais, por exemplo. E provavelmente é essa
a imagem que se tem atualmente dos índios em
quase todo o Brasil, a do índio empobrecido.
Estar nessas condições entre os cidadãos
urbanos, não é integração,
mas abandono. Embora o caso dos indígenas seja
emblemático, sabemos que outros grupos também
estão vivendo dessa forma, principalmente aqueles
que saem do campo em busca de uma vida melhor.
10.3
– Objetivos e Metas
EM
ANEXO A ESSE DOCUMENTO.
|
11
- FORMAÇÃO DOS PROFESSORES E VALORIZAÇÃO
DO MAGISTÉRIO
|
11.1.
Caracterização e Diagnóstico
A melhoria da qualidade do ensino que é um
dos objetivos centrais do Plano Nacional de Educação,
somente poderá ser alcançada se for
promovida, ao mesmo tempo, a valorização
do magistério. Sem esta, ficam baldados quaisquer
esforços para alcançar as metas estabelecidas
em cada um dos níveis e modalidades do ensino.
Essa valorização só pode ser
obtida por meio de uma política global de magistério,
a qual implica, simultaneamente:
. a formação profissional inicial;
. as condições de trabalho, salário
e carreira;
. a formação continuada.
Ano após ano, grande número de professores
abandona o magistério devido aos baixos salários
e às condições de trabalho nas
escolas. Formar mais e melhor os profissionais do
magistério é apenas uma parte da tarefa.
É preciso criar condições que
mantenham o entusiasmo inicial, a dedicação
e a confiança nos resultados do trabalho pedagógico.
É preciso que os professores possam vislumbrar
perspectivas de crescimento profissional e de continuidade
de seu processo de formação.
Se, de um lado, há que se repensar a própria
formação, em vista dos desafios presentes
e das novas exigências no campo da educação,
que exige profissionais cada vez mais qualificados
e permanentemente atualizados, desde a Educação
Infantil até a Educação Superior
(e isso não é uma questão meramente
técnica de oferta de maior número de
cursos de formação inicial e de cursos
de qualificação em serviço) por
outro lado é fundamental manter na rede de
ensino e com perspectivas de aperfeiçoamento
constante os bons profissionais do magistério.
Salário digno e carreira de magistério
entram, aqui, como componentes essenciais. Avaliação
de desempenho também tem importância,
nesse contexto.
O Plano Nacional de Educação estabelece
diretrizes e metas relativas à melhoria das
escolas, quer no tocante aos espaços físicos,
à infra-estrutura, aos instrumentos e materiais
pedagógicos e de apoio, aos meios tecnológicos,
etc., quer no que diz respeito à formulação
das propostas pedagógicas, à participação
dos profissionais da Educação na elaboração
do projeto pedagógico da escola e nos conselhos
escolares, quer, ainda, quanto à formulação
dos planos de carreira e de remuneração
do magistério e do pessoal administrativo e
de apoio.
| TABELA
09 - PROFESSORES MUNICIPAIS E AS RESPECTIVAS
TITULAÇÕES - 2006 |
ANO |
SEM
MAGIST |
MAGIST |
LICENCIAT |
PÓSGRAD |
MESTRE |
DOUTOR |
TOTAL |
2006 |
27 |
267 |
466 |
274 |
6 |
0 |
1040 |
Fonte: Censo Escolar e/ou Relatórios
Estatísticos. |
11.2
– Diretrizes
A qualificação do pessoal docente
se apresenta hoje como um dos maiores desafios para
o Plano Nacional de Educação e o Poder
Público precisa se dedicar prioritariamente
à solução deste problema. A implementação
de políticas públicas de formação
inicial e continuada dos profissionais da Educação
é uma condição e um meio para
o avanço científico e tecnológico
em nossa sociedade e, portanto, para o desenvolvimento
do País, uma vez que a produção
do conhecimento e a criação de novas
tecnologias dependem do nível e da qualidade
da formação das pessoas.
A melhoria da qualidade do ensino, indispensável
para assegurar à população brasileira
o acesso pleno à cidadania e a inserção
nas atividades produtivas que permita a elevação
constante do nível de vida, constitui um compromisso
da Nação.
A valorização do magistério implica,
pelo menos, os seguintes requisitos:
* uma formação profissional que assegure
o desenvolvimento da pessoa do educador enquanto cidadão
e profissional, o domínio dos conhecimentos
objeto de trabalho com os alunos e dos métodos
pedagógicos que promovam a aprendizagem;
* um sistema de Educação continuada
que permita ao professor um crescimento constante
de seu domínio sobre a cultura letrada, dentro
de uma visão crítica e da perspectiva
de um novo humanismo;
* jornada de trabalho organizada de acordo com a jornada
dos alunos, concentrada num único estabelecimento
de ensino e que inclua o tempo necessário para
as atividades complementares ao trabalho em sala de
aula;
* salário condigno, competitivo, no mercado
de trabalho, com outras ocupações que
requerem nível equivalente de formação;
* compromisso social e político do magistério.
Os quatro primeiros precisam ser supridos pelos sistemas
de ensino. O quinto depende dos próprios professores:
o compromisso com a aprendizagem dos alunos, o respeito
a que têm direito como cidadãos em formação,
interesse pelo trabalho e participação
no trabalho de equipe, na escola. Assim, a valorização
do magistério depende, pelo lado do Poder Público,
da garantia de condições adequadas de
formação, de trabalho e de remuneração
e, pelo lado dos profissionais do magistério,
do bom desempenho na atividade.
A formação continuada do magistério
é parte essencial da estratégia de melhoria
permanente da qualidade da educação,
e visará à abertura de novos horizontes
na atuação profissional. Quando feita
na modalidade de Educação a distância,
sua realização incluirá sempre
uma parte presencial, constituída, entre outras
formas, de encontros coletivos, organizados a partir
das necessidades expressas pelos professores. Essa
formação terá como finalidade
a reflexão sobre a prática educacional
e a busca de seu aperfeiçoamento técnico,
ético e político.
A formação continuada dos profissionais
da Educação pública deverá
ser garantida pelas Secretarias Estaduais e Municipais
de educação, cuja atuação
incluirá a coordenação, o financiamento
e a manutenção dos programas como ação
permanente e a busca de parceria com universidades
e instituições de ensino superior. Aquela
relativa aos professores que atuam na esfera privada
será de responsabilidade das respectivas instituições.
A Educação escolar não se reduz
à sala de aula e se viabiliza pela ação
articulada entre todos os agentes educativos - docentes,
técnicos, funcionários administrativos
e de apoio que atuam na escola. Por essa razão,
a formação dos profissionais para as
áreas técnicas e administrativas deve
esmerar-se em oferecer a mesma qualidade dos cursos
para o magistério.
O Ensino Fundamental nas comunidades indígenas,
segundo o preceito constitucional, deverá ser
oferecido também nas suas Línguas maternas
e processos próprios de aprendizagem, para
o que será necessário formar professores
dessas mesmas comunidades.
Investir nos profissionais da Educação
pelo avanço nos programas de formação
e de qualificação dos professores, com
oferta de cursos para o aperfeiçoamento de
todos os profissionais do magistério, deve
ser compromisso das instituições de
Educação Superior e dos sistemas de
ensino.
O envolvimento, a participação e o compromisso
social dos profissionais da Educação
desdobrar-se-á em proposta pedagógica
que se constrói a cada dia na dinâmica
do cotidiano escolar, na interação entre
os sujeitos, num processo contínuo e permanente
de ação/reflexão/ação.
11.3
– Objetivos e Metas
EM
ANEXO A ESTE DOCUMENTO.
|
12
– FINANCIAMENTO E GESTÃO |
12.1
– Caracterização e Diagnóstico
A fixação de um plano de metas exige uma
definição de custos assim como a identificação
dos recursos atualmente disponíveis e das estratégias
para sua ampliação, seja por meio de uma
gestão mais eficiente, seja por meio de criação
de novas fontes, a partir da constatação
da necessidade de maior investimento. Os percentuais
constitucionalmente vinculados à manutenção
e ao desenvolvimento do ensino devem representar o ponto
de partida para a formulação e implementação
de metas educacionais.
Além de promover a eqüidade, o FUNDEF foi
o instrumento de uma política que induziu várias
outras transformações:
- com a criação de contas únicas
e específicas e dos conselhos de acompanhamento
e controle social do FUNDEF deu-se mais transparência
à gestão. A maior visibilidade dos recursos
possibilitou inclusive a identificação
de desvios;
- com a obrigatoriedade da apresentação
de planos de carreira com exigência de habilitação,
deflagrou-se um processo de profissionalização
da carreira;
- com a subvinculação ao pagamento dos
professores melhoraram os salários e foram novamente
atraídos para a carreira professores que ocupavam
outras posições no mercado de trabalho;
- a fixação de um critério objetivo
do número de matrículas e a natureza contábil
do fundo permitiram colocar os recursos onde estão
os alunos e eliminar práticas clientelistas;
Financiamento e Gestão estão indissoluvelmente
ligados. A transparência da gestão de recursos
financeiros e o exercício do controle social
permitirão garantir a efetiva aplicação
dos recursos destinados à educação.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional facilita amplamente esta tarefa, ao estabelecer,
no § 5º do art.69, o repasse automático
dos recursos vinculados, ao órgão gestor
e ao regulamentar quais as despesas admitidas como gastos
com manutenção e desenvolvimento do ensino.
O Governo Federal vem atuando de maneira a descentralizar
recursos, direcionando-os diretamente às escolas,
de modo a fortalecer sua autonomia. Neste processo foi
induzida a formação de Associações
de Pais e Mestres ou de Conselhos escolares.
TABELA
10 - RECURSOS APLICADOS EM EDUCAÇÃO
2004 – 2006
|
| ANO |
IMPOSTOS
ART.
212 - CF |
DESPESA
EDUCAÇÃO |
EDUCAÇÃO
INFANTIL |
ENSINO
FUNDAMENTAL |
|
2004 |
13.056.344,82 |
39.238.820,78 |
1.246.349,34 |
37.964.793,27 |
|
2005 |
15.952.862,59 |
49.103.715,06 |
1.737.602,71 |
47.347.066,80 |
|
2006 |
18.664.479,65 |
52.968.930,91 |
1.261.663,07 |
50.524.856,44 |
ANO |
ED.
JOVENS E
ADULTOS |
EDUCAÇÃO
ESPECIAL |
OUTROS |
|
2004 |
6.117,75 |
0 |
21.560,42 |
|
2005 |
1.746,35 |
0 |
17.299,20 |
|
2006 |
1.087.911,99
|
74.692,40 |
19.807,01 |
Fonte:
Relatórios/Balanços Anuais da Prefeitura.
SMF/Contabilidade |
| TABELA
11 - DESPESAS COM A EDUCAÇÃO POR
CATEGORIA ECONÔMICA E ELEMENTO - 2004 –
2006 |
| ANO
|
DESPESAS CORRENTES |
| PESSOAL |
MATERIAL
CONSUMO |
OUTRAS
DESPESAS
CORRENTES |
SUBTOTAL
|
|
2004 |
25.164.928,26 |
2.042.882,07 |
6.832.180,59 |
34.039.990,92 |
|
2005 |
31.382.362,07 |
2.923.873,47 |
8.085.664,19 |
42.391.899,73 |
|
2006 |
33.778.583,38 |
3.169.101,07 |
11.470.809,08 |
48.418.493,53 |
| ANO |
OBRAS |
EQUIPAMENTOS |
SUBTOTAL
|
TOTAL
GERAL |
|
2004 |
2.457.065,85 |
3.973.408,82 |
5.198.829,86 |
39.238.820,78 |
|
2005 |
3.602.133,73 |
3.109.681,60 |
6.711.815,33 |
49.103.715,06 |
Fonte:
Relatórios Anuais da Prefeitura. |
| TABELA
12 - EDUCAÇÃO INFANTIL: CUSTO/ALUNO/ANO
NA REDE MUNICIPAL 2004 – 2006 |
ANO |
RECURSOS
APLICADOS(1) |
MATRÍCULA
INICIAL(2) |
CUSTO
ALUNO
ANO (3)
|
2004 |
1.246.349,34 |
547 |
2.278,52 |
2005 |
1.737.602,71 |
518 |
3.354,45 |
2006 |
1.261.663,07 |
708 |
1.708,01 |
Fonte:
(1) - Relatórios/Balanços Anuais
da Prefeitura. SMF/Contabilidade
(2) - Censo Escolar 2004 -2006
(3) - Relação existente entre
1 e 2
|
| TABELA
13 - ENSINO FUNDAMENTAL: CUSTO/ALUNO/ANO NA REDE
MUNICIPAL 2004– 2006 |
ANO |
RECURSOS
APLICADOS(1) |
MATRÍCULA
INICIAL(2) |
CUSTO
ALUNO
ANO (3)
|
2004 |
37.964.793,27 |
23.464 |
1.618,00 |
2005 |
47.347.066,80 |
20.362 |
2.325,27 |
2006 |
50.524.856,44 |
21.304 |
2.371,61 |
Fonte:
(1) - Relatórios/Balanços Anuais
da Prefeitura. SMF/Contabilidade
(2) - Censo Escolar 2004 -2006
(3) - Relação existente entre
1 e 2
|
| GAA
– GASTO/ALUNO/ANO - 2006 - NA REDE MUNICIPAL |
| A
- ALUNOS
|
Matrícula
Inicial |
Matrícula
Final |
Alunos
aprovados |
| 1.
Educação Infantil |
708 |
678 |
678 |
| -
Creche |
209 |
- |
- |
| -
Pré-Escola
|
499 |
- |
- |
| 2.
Ensino Fundamental |
21.304 |
20.676 |
17.055 |
| 3.
Educação de Jovens e Adultos
|
3.107 |
1.694 |
1.606 |
| 4.
Educação Especial |
199 |
199 |
199 |
| Total
|
25.138 |
23.247 |
19.538 |
|
B - DESPESAS |
-
|
- |
| 1.
Educação Infantil |
R$:
1.261.663,07 |
2,38%
|
| -
Creche |
R$:
372.438,00
|
- |
| -
Pré-Escola |
R$:
889.225,07 |
- |
| 2.
Ensino Fundamental |
R$:
50.524.856,44 |
95,42
% |
| 3.
Educação de
Jovens e Adultos * |
R$:
1.087.911,99 |
2,06%
|
| 4.
Educação Especial |
R$:
74.692,40 |
0,14
% |
| Total |
R$:
52.949.123,90
|
100
% |
| C
- GASTO/ALUNO/ANO |
Sobre
a
Matrícula Inicial |
Sobre
a
Matrícula Final |
Sobre
Os
Alunos aprovados |
| 1.
Educação Infantil |
R$:
1.782,00 |
- |
R$:
1.861,00 |
| 2.
Ensino Fundamental |
R$:
2.371,61 |
R$:
2.443,64 |
R$:
2.962,46 |
| 3.
Educação de Jovens e Adultos * |
R$:
350,14 |
R$:
642,21 |
R$:
677,40 |
| 4.
Educação Especial |
R$:
375,00 |
R$:
375,00 |
R$:
375,00 |
| D
- INVESTIMENTO POR ALUNO |
|
|
|
1.
Pessoal e Encargos |
R$:
1.343,73 |
R$:
1.453,03 |
R$:
1.728,87 |
2.
Mat.de Consumo e Serviços |
R$:
126,06 |
R$:
136,32 |
R$:
162,20 |
3.
Equip. e Mat. Permanente |
R$:
80,14 |
R$:
86,66 |
R$:
103,11 |
4.
Obras e Instalações |
R$:
100,87 |
R$:
109,08 |
R$:
129,78 |
Fonte:
Censo Escolar e Relatórios/Balanços
Anuais da Prefeitura.
SMF/Contabilidade |
Observações:
1. O estudo do gasto/aluno/ano desenvolvido com a utilização
da tabela acima inclui as despesas realizadas pela Prefeitura
Municipal em Manutenção e Desenvolvimento
do Ensino, conforme Art. 70 da LDB.
2. Despesas com alimentação, assistência
social, saúde, outras, não se constituem
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino,
Art. 71, da LDB.
3. Recursos aplicados pelas Associações
de Pais e Mestres, auxílios recebidos do MEC
e outros deverão ser calculados em planilha própria.
4. O custo/gasto é obtido pela divisão
das despesas (Item B) pela matrícula ou aprovação
(Item A) em cada um dos níveis, modalidades ou
especificações.
5. O investimento por categoria econômica e elemento
de despesa é obtido pela divisão dos recursos
registrados na tabela/sugestão P pelo número
de alunos matriculados ou aprovados.
12.2
– Diretrizes
Ao tratar do financiamento da Educação,
é preciso reconhecê-la como um valor em
si, requisito para o exercício pleno da cidadania,
para o desenvolvimento humano e para a melhoria da qualidade
de vida da população.
O avanço significativo dos indicadores educacionais
alcançado na década de 90 apoiou-se na
vinculação de recursos, o que permitiu
manter níveis razoáveis de investimento
na Educação pública.
Cumpre consolidar e aperfeiçoar outra diretriz
introduzida a partir do FUNDEF, cuja preocupação
central foi a eqüidade. Para tanto, é importante
o conceito operacional de valor mínimo gasto
por aluno, por ano, definido nacionalmente. A eqüidade
refere-se não só aos sistemas, mas aos
alunos em cada escola. Assim, de nada adianta receber
dos fundos educacionais um valor por aluno e praticar
gastos que privilegiem algumas escolas em detrimento
das escolas dos bairros pobres. A LDB preceitua que
aos Municípios cabe exercer a função
redistributiva com relação a suas escolas.
Instaurada a eqüidade, o desafio é obter
a adequação da aprendizagem a um padrão
mínimo de qualidade (art. 211,§ 1º,
CF e art. 60,§ 4º, ADCT), definido em termos
precisos na LDB (art.4º, IX) como "a variedade
e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis
ao desenvolvimento do processo ensino -aprendizagem".
Aqui o conceito chave já não é
mais o de valor mínimo, mas o de custo-aluno
-qualidade. Este deve ser a referência para a
política de financiamento da Educação.
A Educação deve ser considerada uma prioridade
estratégica para um projeto nacional de desenvolvimento
que favoreça a superação das desigualdades
na distribuição de renda e a erradicação
da pobreza.
Para que seja possível o planejamento educacional,
é importante implantar sistemas de informação,
com o aprimoramento da base de dados educacionais do
aperfeiçoamento dos processos de coleta e armazenamento
de dados censitários e estatísticas sobre
a Educação nacional. Desta maneira, poder-se-á
consolidar um sistema de avaliação - indispensável
para verificar a eficácia das políticas
públicas em matéria de educação.
Deve-se promover a efetiva desburocratização
e descentralização da gestão nas
dimensões pedagógica, administrativa e
de gestão financeira, devendo as unidades escolares
contar com repasse direto de recursos para desenvolver
o essencial de sua proposta pedagógica e para
despesas de seu cotidiano.
No exercício de sua autonomia, cada sistema de
ensino há de implantar gestão democrática.
Em nível de gestão de sistema na forma
de Conselhos de Educação que reunam competência
técnica e representatividade dos diversos setores
educacionais; em nível das unidades escolares,
por meio da formação de conselhos escolares
de que participe a comunidade educacional e formas de
escolha da direção escolar que associem
a garantia da competência ao compromisso com a
proposta pedagógica emanada dos conselhos escolares
e a representatividade e liderança dos gestores
escolares.
As diretrizes para financiamento da Educação
encontram-se na Constituição Federal que
determina:
Art.212 – A União aplicará, anualmente,
nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo,
da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente
de transferências, na Manutenção
e Desenvolvimento do Ensino.
3º - A distribuição dos recursos
públicos assegurará prioridade ao atendimento
das necessidades do ensino obrigatório, nos termos
do Plano Nacional de Educação.
4º - Os programas suplementares de alimentação
e assistência à saúde previstos
no Art.208, VII, serão financiados com recursos
provenientes de contribuições sociais
e outros recursos orçamentários.
A Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394/96 especifica:
Art.70 – Considerar-se-ão como de manutenção
e de desenvolvimento do ensino as despesas realizadas
com vistas à consecução dos objetivos
básicos das instituições educacionais
de todos os níveis, compreendendo as que se destinam
a:
I – remuneração e aperfeiçoamento
do pessoal docente e demais profissionais da educação;
II – aquisição, manutenção,
construção e conservação
de instalações e equipamentos necessários
ao ensino;
III - uso e manutenção de bens e serviços
vinculados ao ensino;
IV – levantamentos estatísticos, estudos
e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da
qualidade e à expansão do ensino;
V – realização de atividades-meio
necessárias ao funcionamento dos sistemas de
ensino;
VI – concessão de bolsas de estudos a alunos
de escolas públicas e privadas;
VII – amortização e custeio de operações
de créditos destinadas a atender ao disposto
nos incisos deste artigo;
VIII – aquisição de material didático-escolar
e manutenção de programas de transporte.
A Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007, regulamenta
o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento
da Educação Básica e Valorização
dos Profissionais da Educação –
FUNDEB, de que trata o art. 60 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias; altera a Lei nº
10.195, de 14 de fevereiro de 2001; revoga dispositivos
das Leis nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, 10.880,
de 9 de junho de 2004; e dá outras providências.
É a Conversão da MPv nº 339, 2006
– mudança do FUNDEF para FUNDEB.
Esta Lei amplia a participação dos Estados
e dos Municípios na contribuição
ao Fundo, em relação à Lei do FUNDEF
(chegando a 20% em 3 anos) e amplia a abrangência
no atendimento à Educação Básica,
incluindo a Educação Infantil e o Ensino
Médio, em suas modalidades. Entretanto, para
o Rio Grande do Sul não há a participação
da União, considerando que o per capita aluno
é superior ao mínimo nacional.
A aplicação de, no mínimo, 25%
da receita de impostos na Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino - MDE, conforme estabelecido
pela Constituição, é uma das garantias
para o financiamento da educação. O Plano
Nacional de Educação aponta como diretriz
básica e prioritária a qualificação
do processo educacional.
A manutenção das escolas caracteriza as
despesas fixas ou despesas correntes - contratação
e remuneração de profissionais da Educação
(limitando a aplicação máxima de
54% da receita municipal em folha de pagamento, conforme
a Lei de Responsabilidade Fiscal) e despesas com energia,
água, telefone, entre outras.
As despesas de capital constituem-se nos investimentos
em equipamentos e obras. É necessária
a verificação periódica da eficácia
das políticas educacionais com o intuito de redirecioná-las,
quando necessário. Essa verificação
ocorre com o acompanhamento, a coleta e a análise
de dados sobre o desenvolvimento do ensino/educação,
bem como a avaliação, interna e externa,
do desempenho dos alunos.
A gestão das escolas com a efetiva participação
da comunidade escolar nas decisões e na elaboração
das metas educacionais, democratiza o processo. O funcionamento
de Conselhos Escolares concretizará a descentralização
da gestão escolar, nas dimensões pedagógica,
administrativa e financeira.
10.3 – Objetivos e Metas
ANEXO A ESTE DOCUMENTO |
13
- ACOMPANHAMENTO, CONTROLE, AVALIAÇÃO
E IMPLEMENTAÇÃO.
|
O
detalhamento das ações propostas nos
diversos Programas Educação Infantil,
Ensino Fundamental, Ensino Médio e Tecnológico,
Educação de Jovens e Adultos, Educação
Especial, Educação Indígena e
Quilombola, Profissionais da Educação
e Financiamento e Gestão, com definição
de metas anuais, como clientela a ser atingida, escolas,
período de execução, recursos
humanos, materiais e financeiros necessários,
será possível, a partir da elaboração
compartilhada da proposta orçamentária
anual, ao longo do período de execução
do Plano.
Acompanhamento:
consiste em verificar o andamento da execução
física e financeira dos Projetos e Atividades
em termos de resultados, tempo e custos previstos.
Controle: consiste em verificar o
grau de correspondência entre a programação
e a execução para propor e exercer ações
corretivas sobre os desvios constatados ou proceder
a ajustamentos, quando necessários.
Avaliação:
consiste em mensurar os resultados das ações
desencadeadas, segundo critérios e padrões
de quantidade e qualidade pré - estabelecidos,
principalmente nos objetivos e metas.
Implementação:
reforço com mais recursos nas ações
– Projetos e Atividades - que demonstraram resultados
positivos ou satisfatórios na redução
dos desequilíbrios, insuficiências, lacunas
ou desvios; adoção de medidas corretivas
em outras ações, quando necessário.
A sistematização do processo de acompanhamento,
controle e avaliação, buscando obter
dados e informações objetivas, claras
e seguras, é necessária para a realimentação
do processo de planejamento e implementação
de ações alternativas adequando e/ou
redirecionando metas para a consecução
da proposta política pedagógica consolidando
o acesso, regresso, permanência com sucesso
de todas as crianças, jovens e adultos, ainda
não suficientemente escolarizados, em escola
de qualidade.
Os relatórios parciais de Projetos, Atividades
ou Programas, bem como os relatórios anuais
globais, consolidarão a síntese dos
resultados e fundamentarão a elaboração
de novos Planos e/ou Projetos.
A participação, o compromisso e a esperança
no resgate da qualidade do Ensino Público vai
se consolidando a cada ano, com o aumento de investimentos,
melhorias salariais, mas também, com um melhor
desempenho em parcerias professor/aluno, escola/comunidade,
na construção de um mundo um pouco mais
humano, reconhecendo em cada pessoa, o principal agente
de sua própria história.
Periodicamente podem e devem ser usados instrumentos
objetivos escritos para avaliar Planos e/ou Programas
Educacionais, envolvendo diferentes segmentos sociais,
especialmente os mais comprometidos com o processo
educativo.
Esta análise conjunta reorientará decisões
técnico-pedagógicas e administrativas,
fortalecendo o processo de planejamento participativo
e enriquecendo a administração educacional
e municipal como um todo.
É necessário articular e comprometer,
na avaliação contínua e sistemática,
a sociedade civil, organizada através de Conselhos
ou entidades, interessadas e responsáveis pelos
direitos da criança e do adolescente no Município.
O resultado desta reflexão sobre as ações
em desenvolvimento deverá intervir no processo
de gestão da Educação no Município,
para que a implementação seja adequada
às reais e sempre atualizadas necessidades
e possibilidades existentes a cada ano, concretizando
passo a passo o ideal delineado na Proposta Educacional,
em consonância com o Plano Nacional de Educação
e as demais determinações legais.
|
| 1.
BRASIL. Constituição da República
Federativa do Brasil. São Paulo, Saraiva, 1998.
2.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional. N° 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996.
Brasília, DOU, de 23/12/96
3.
BRASIL. Lei n° 9.424, de 24 de dezembro de 1996.
Institui o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento
do Ensino Fundamental e de Valorização
do Magistério, Brasília, 1996.
4.
BRASIL. Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001,
Aprova o Plano Nacional de Educação, Brasília,
DOU, de 10/02/2001.
5.
BRASIL. Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964.
Institui Normas Gerais de Direito Financeiro para Elaboração
e Controle dos Orçamentos e Balanços da
União, dos Estados, dos Municípios e do
Distrito Federal.
6.
BRASIL. Ministério da Educação
e do Desporto. Plano Decenal de Educação
para Todos. 1993-2003. Brasília, MEC, 1993.
7.
BRASIL. Ministério da Educação
e do Desporto. O Projeto Pedagógico da Escola.
Brasília, MEC,1994.
8.
BRASIL. Ministério da Educação
e do Desporto. Estratégias de Mobilização
Educação para Todos/Todos pela Educação.
Brasília, MEC/UNICEF, 1994.
9.
BRASIL. Ministério da Educação
e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais:
Introdução aos Parâmetros Curriculares
Nacionais/Secretaria de Educação Fundamental.
Brasília, MEC, SEF,1997.
10.
BRASIL. Ministério da Educação
e Desporto. Programa de Apoio aos Secretários
Municipais de Educação – PRASEM
II e III. Guia de Consulta – Brasília –
FUNDESCOLA – MEC – UNICEF – UNDIME,
1999 e 2001.
11.
RIO GRANDE DO SUL. Constituição Estadual
12.
12. RIO GRANDE DO SUL.. Plano Estadual de Educação.
Versão preliminar.
13.
Relatórios da Secretaria Municipal de Educação
de Viamão
14.
Relatórios da Secretaria Estadual de Educação
do Rio Grande do Sul
15.
Plano Diretor do Município de Viamão
|
|
| |
|
|